Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 11/01/2021
De acordo com o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, a realidade brasileira observada é consoante com a ideia do pensador, à medida que a grande desigualdade social é reflexo e se reflete no número crescente de casos de evasão escolar nacional. Esse cenário é fruto tanto da ausência de mecanismos governamentais que coíbam a fuga de alunos, quanto da indisponibilidade de tempo em decorrência da necessidade de obter uma renda. Isto posto, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, buscando a transformação da sociedade.
Precipuamente, é essencial ressaltar que a saída de jovens das escolas deriva de uma ineficaz atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, aspecto muito negligenciado no Brasil. Como exemplo, o acesso à educação no país é extremamente comprometido pela colossal desigualdade social existente, tendo como agravante a deficiente logística locacional das escolas - associada com a insuficiente infraestrutura de mobilidade -, e ainda, a ausência de políticas públicas para os que possuem pouco recurso financeiro. Portanto, é de grande necessidade que ocorra uma reformulação na postura estatal.
Outrossim, conforme determina o Artigo 55° do Estatuto da Criança e do Adolescente, “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. No entanto, de maneira oposta à Lei, não são raros os casos de crianças e jovens que são privados da educação escolar, pois são obrigados a trabalhar para contribuírem com a renda do lar. Em consequência, têm-se uma grande dificuldade de formação profissional do indivíduo, diminuindo suas chances de ascensão social, manutenindo os desequilíbrios da sociedade. Tudo isso retarda a solução do empecilho, já que o trabalho infantil favorece a perpetuação desse quadro pernicioso.
Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas com o fito de solucionar a questão. Dessarte, o Governo, na figura do Ministério da Educação, deve desenvolver políticas educacionais de retenção de alunos, através de projetos sociais para ajudar famílias vulneráveis, ofertando atividades extracurriculares que possibilitem formações preparatórias para o mercado de trabalho. Assim, gradativamente a sociedade se transformará, tornando-se mais justa e democrática, em harmonia com o pensamento de Paulo Freire.