Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/01/2021

Durante a Roma Antiga, a educação caracterizou-se por ser restrita à elite, fato que contrasta com a atualidade, uma vez que hoje ela é considerada um direito humano. Entretanto, nota-se que tal poder muitas vezes não é exercido pelas pessoas que cometem evasão escolar. Diante desse cenário, cabe analisar a desigualdade social como propulsor do impasse e as consequências que o abandono escolástico traz consigo.

Em primeiro lugar, faz-se necessário recordar um dos principais e mais antigos obstáculos que o Brasil enfrenta: a desiguldade social, que também é uma das principais barreiras no que concerne a contenção da evasão escolar. Nesse âmbito, no livro “O Ateneu”, de Raul Pompéia, o autor defende a idéia de que tudo o que há da sociedade se reflete na escola. Assim, a evasão do espaço colegial nada mais é que o reflexo das discrepâncias sociais, uma vez que um dos principais motivos de tal evasão é, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a necessidade de trabalhar devido à carência monetária. Portanto, na prática. nota-se que a educação está mais relacionada ao privilégio, do que a um direito previsto em Constituição.

Ademais, o abandono escolar pode gerar preconceito para com as pessoas que tomaram a decisão de afastar-se da escola, gerando a Invisibilidade Social, que um conceito criado pela filósofa Simone de Beauvoir e que é aplicado a seres socialmente invisíveis, seja pela diferença ou preconceito. Além disso, é fato que o atraso na educação por parte da população vai em contra do progresso da sociedade. Nesse viés, Paulo Freire, professor e filósofo, afirma que “Se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, verifica-se a importãncia da educação para cada indivíduo e para a sociedade no geral.

Portanto, urge que o Estado tome providências para mitigar o quadro atual. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Econômia, incentivar os alunos a permanecerem nas escolas, por meio da criação de uma bonificação em dinheiro para os alunos necessitados que frequentarem periodicamente as aulas, com a finalidade de evitar que estes alunos tomem a decisão de abandonar os estudos em prol das necessidades financeiras. Além do mais, a concessão do bônus deve ser rigorosamente fiscalizada pelo Estado. Desse jeito, mais pessoas poderão usufruir do direito á educação.