Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 05/01/2021
O curtametragem Vida Maria mostra a realidade de moças que são obrigadas a pararem de estudar devido à falta de recursos e à gravidez precoce. Fora das telas, a realidade no Brasil é semelhante, tendo em vista que os jovens estão desistindo da escola, ora por falta de recursos, ora por carência de motivação para estudar.
Primeiramente, é sabido que um dos fatores contribuintes para a desistência dos alunos é a falta de oportunidades e o baixo poder aquisitivo. De acordo com o MEC (Ministério da Educação) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os perfis com maior índice de desistência são os de alunos pobres e negros. O estudo evidencia o perfil mais propício a desistir dos estudos e revela a várias facetas da desigualdade no Brasil.
Em segundo lugar, a falta de motivação para estudar se mostra um problema crescente, uma vez que a tecnologia se expande e o acesso à informação é quase imediato. O professor Paulo Freire mostrava enorme preocupação com a evasão escolar em seu livro Pedagogia da Autonomia, a inquietação se dava, principalmente, à futilização do conhecimento. É inadmissível aceitar que os estudantes desistam de obter uma educação de qualidade para obterem informações rasas e sem confiabilidade.
Sob esse prisma, é sabido que medidas são necessárias para intervir nos impasses. O IBGE deve mapear as regiões com as maiores taxas de evasão escolar e, junto ao MEC, mobilizarem um projeto governamental de bolsa aos estudantes do ensino fundamental e médio, disponibilizando um cartão que será recarregado mensalmente com uma ajuda de custo. Ademais, o dinheiro das bolsas deve ser enviado apenas aos alunos que comparecerem a, no mínimo, 80% das aulas do mês. Assim, o Brasil diminuiria a quantidade de “Vidas Marias” e incentivará os alunos a permanecerem estudando.