Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/05/2021
“Sabedoria do povo daqui é o medo dos homens de lá”. Com tais versos, da canção “Deixa o menino jogar”, o grupo musical Natiruts ressalta o quanto a educação pode transformar uma sociedade. No entanto, essa potencialidade não tem sido desenvolvida no Brasil, visto que o alto índice de evasão escolar demonstra como a educação, direito que, segundo a música, pode transformar o meio social, tem sido negligenciada. Nesse contexto, cabe analisar tanto a ineficiência estatal quanto a condição monetária das pessoas como fatores dessa problemática.
Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a evasão escolar. Sob tal ótica, enquadra-se os pensamentos do escritor Gilberto Dimenstein, o qual aborda que todos os cidadãos têm direitos na constituição, entretanto, esses não são garantidos na prática. Decerto, o acesso à educação, direito garantido pelo Estado, está cada vez mais limitado, seja por falta de transportes públicos, infraestrutura ou ausência de escolas públicas nas periferias e regiões afastadas, o que demonstra que esse direito se encontra apenas na teoria, tal como diz o escritor. Isso pode ser comprovado, segundo os dados da Unesco, o qual revela que, em 2018, cerca de 260 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à educação.
Ademais, é fulcral salientar que a condição financeira dos indivíduos influencia as taxas de evasão escolar, principalmente, em tempos de pandemia. Nesse contexto, ganha relevância o conceito de “Capital Cultural” do sociólogo Pierre Bourdieu, segundo o qual afirma que as famílias mais ricas foram detendo determinados conhecimentos que são prestigiados socialmente e que os mantêm como classe dominante. Dessa forma, para ter acesso à rede de ensino, atualmente, é necessária a utilização de meios tecnológicos, como computadores, celulares e internet de qualidade, e, infelizmente, nem todos têm condições para arcar com os custos, mostrando que somente aqueles que podem pagar, ou seja, a classe dominante tem acesso à educação. Isso é evidenciado pelos dados da Unicef, o qual diz que cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso à internet.
Portanto, garantir a permanência dos alunos nas escolas é um desafio para o Brasil, o que requer a criação de políticas públicas. Para tanto, cabe ao governo criar medidas para reduzir a taxa de evasão escolar, por meio da ampliação do orçamento público em ações, como disponibilizar transporte escolar para periferias e regiões afastadas, distribuir computadores que não estão sendo utilizados nas escolas e arcar com planos de internet para os alunos, no intuito de reduzir as desigualdades sociais no âmbito educacional. Somente assim, a educação se tornará, de fato, um direito garantido não só na teoria, mas também na prática.