Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação é inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a evasão escolar, dificultando desde modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas para combater a evasão escolar. Nessa perspectiva, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), cerca de 1,7 milhões de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Dentre as principais causas dessa evasão estão a falta de acesso ao ensino e, também, problemas como gravidez na adolescência e a pobreza que forçam os jovens a abandonar o ambiente escolar em buscar de sustento. Logo, tais fatos configuram-se como obstáculo rumo ao desenvolvimento educacional e a garantia desse direito social.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como consequência da evasão escolar no Brasil. Segundo a educadora Magda Soares, a baixa escolaridade reflete diretamente no futuro laboral dos jovens que, devido a fuga escolar, se tornam mal qualificados para essa atividade. Assim, dados do Ministério do Trabalho afirmam que mais de 19 milhões de brasileiros são excluídos do mercado de trabalho devido a informalidade e a falta de escolarização. Dessa forma, o Brasil tem um longo caminho a percorrer rumo a solução desse estigma.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Partindo dessa égide, é necessário que o Ministério da Educação invista, através de uma maior e melhor distribuição de verbas, na construção de novas escolas em localidades socialmente vulneráveis  e, também, na contratação de novos profissionais capazes de aproximar, de fato, o aluno a educação. Além disso, a Escola deve realizar projetos interdisciplinares com o intuito de mostrar uma conexão real entre o que aprende e o contexto ao qual se vive. Feito isso, a educação poderá ser, de fato, um direito de todos.