Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

No século XX, Paulo Freire, patrono da educação brasileira, em seu livro A Pedagogia do Oprimido, afirmou que a educação é o principal meio de transformação social, gerando a consciência de igualdade e liberdade. Contemporaneamente, no Brasil, as visões do autor não ocorrem no sistema educacional. Com efeito, a educação é um importante meio de mudança social, por proporcionar o pensamento crítico. Porém, ela é atravancada pelo desinteresse do Estado em criar programas sociais que auxiliem financeiramente os alunos e suas famílias e pela secundarização de pautas que objetivam a melhoria na infraestrutura do transporte público, desse modo, causam a evasão escolar.

Em uma primeira análise, sob a ótica política, o desinteresse dos governantes em criar programas que socorram os alunos, em que muitos precisam trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias, como projetos similares ao Bolsa Família, contribui para o aumento do analfabetismo e a evasão escolar. Segundo Gregório de Matos, escritor brasileiro do período colonial, o Estado brasileiro era movido pelo interesse particular dos governantes e do capital externo. Tal qual, essa prática se mantém engendrada na política brasileira. Dessa forma, perpetua e normaliza a saída de jovens das escolas.

Ademais, a secundarização das pautas que procuram o melhoramento da infraestrutura do transporte coletivo configuram ainda mais a fuga de crianças e adolescentes dos colégios, principalmente em áreas de difícil acesso, tornando a viagem para escola algo árduo e demorado, dessa maneira, desmotiva os jovens a continuarem estudando. De acordo com Jurgen Habermas, sociólogo alemão, em seu livro a Inclusão do Outro, existe a necessidade de se conquistar o avanço do progresso por meio da inclusão social, e não pela segregação socioespacial. Entretanto, as visões de Habermas não são aplicadas na máquina estatal, na qual o sistema precário de transporte público impossibilita os estudos de diversas crianças.

Em resumo, o desinteresse estatal em criar programas sociais, em paralelo com a falta de investimentos no transporte público, fomentam o aumento da saída de jovens e crianças das escolas no Brasil. Por esse motivo, o governo federal, por meio do Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar programas sociais que ajudem financeiramente jovens de famílias de pouca renda, para evitar a evasão escolar por conta do salário familiar, além disso, as secretarias estaduais de mobilidade urbana, mediante as concessões de serviços às empresas, devem demandar por mais trajetos de ônibus a áreas menos acessíveis e por um serviço com mais qualidade. Dessarte, gerar a transformação envisionada por Paulo Freire.