Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 07/01/2021
Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Tal fato é evidenciado no aumento da evasão escolar no Brasil, tendo em vista que, apesar dos brasileiros possuírem o acesso à educação como direito constitucional, a postura do Estado, associado ao fator socioeconômico, faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
Em primeira análise, a ineficiência estatal em aplicar leis que garantam o acesso à educação restringe a cidadania dos indivíduos. Nessa perspectiva, segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, o que faz desencadear uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel . Sob essa ótica, a promoção de um ensino de qualidade, é responsabilidade do Governo, o qual tem se mostrado negligente, conivente e incompetente, pois, conforme dados do Ministério da Educação, a evasão escolar atinge cerca de 3,2 milhões de jovens por ano. Logo, essa insuficiência do aparato institucional às demandas da nação evidencia o descaso do Governo com a sociedade.
Outrossim, é indubitável salientar o fator financeiro como parte elementar do problema. De acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, a prevalência de disparidades financeiras impede que as famílias menos privilegiadas passem aos seus filhos a importância de uma vida de estudos, impondo a esses indivíduos a necessidade de trabalhar desde a infância. Prova disso é que, consoante pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, 27% dos adolescentes abandonam as escolas por precisarem gerar renda. Com efeito, um círculo vicioso de evasão é erguido, fazendo com que esses recortes populacionais tornem-se grupos de risco educacional, aprofundando essa alarmante situação. Dessa maneira, é imprescindível superar esses paradigmas que prejudicam o cumprimento da cidadania.
Em suma, é mister que medidas sejam implementadas para reduzir a evasão escolar. Para tanto, urge ao Ministério da Educação, por intermédio dos professores, promover palestras com profissionais de diversas áreas como bombeiros, médicos, advogados e vários outros, a fim de mostrar os benefícios da formação escolar e motivá-los a seguirem estudando. Ademais, compete ao Governo Federal, por meio de assistentes sociais, buscar entender e diagnosticar as realidades específicas de cada aluno, para ampliar políticas públicas como o bolsa família, de modo que os jovens não precisem sair das escolas para complementar a renda doméstica. Dessa forma, a construção da cidadania será facilitada e os princípios da Magna Carta efetivados.