Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 07/01/2021

No livro “Nova Atlântida”, Francis Bacon, filósofo inglês, concluiu que o conhecimento é o poder a partir da ideia de qual a educação é a medida mais poderosa para a salvação do homem. No que tange essa perspectiva, é perceptível que esse pensamento é um desafio para ser consolidado no Brasil, já que a evasão escolar é uma realidade no cenário brasileiro. Tal problemática é motivada tanto pelas desigualdades sociais vigentes quanto pela falta de investimentos.

Primeiramente, cabe ressaltar o período colonial, no qual apenas os descendentes de pessoas com notoriedade social apresentavam condições suficientes para frequentar o ambiente escolar. Hodiernamente, mesmo que esse cenário tenha sido revertido, as raízes dele são vistas cotidianamente, uma vez que pessoas hipersuficientes possuem recursos adequados para que seus filhos tenham um ensino condizente com as expectativas pessoais. Em contrapartida, diversos discentes brasileiros, principalmente os situados na periferia, encontram-se desmotivados, posto que as barreiras impostas pela sociedade e o pouco apoio comunitário os fazem carecer desses privilégios. Dessa forma, nota-se que, enquanto a desigualdade for preponderante, diversos estudantes hipossuficientes estarão propensos à evasão escolar, o que vai contra o desenvolvimento isonômico.

Ademais, ainda que a Constituição Federal assegure que a educação é um direito social de todos, ela não é desfrutada adequadamente pela nação canairnho em sua totalidade, visto que o ensino, como exemplo o publico de cidades interioranas, não apresenta mecanismos tecnológicos e didáticos que o torne interessante e assimilativo. Conforme os dados da síntese de indicadores sociais divulga, em 2019, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a evasão escolar dos adolescentes no Norte e Nordeste atingiu cerca de 9,2%. Nesse sentido, caso não ocorra uma distribuição justa de benefícios, a existência de indivíduos à margem da sociedade e com pouca reflexão individual e técnico-cognitiva ainda será uma triste realidade nacional.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que a evasão escolar deixe de ser uma realidade. Destarte, as instituições escolares, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), devem realizar atividades extracurriculares e disruptivas, por meio de aparelhos tecnológicos e brinca- deiras interativas, para que os alunos se tornem protagonistas e vejam o ambiente escolar como convi- dativo e de extrema importância. Essa medida será efetivada a partir da inclusão e participação dos alu- nos em olimpíadas e desenvolvimento de grêmios estudantes. Além disso, é necessário que o MEC exi- ga que a Secretaria de Educação do Estados forneça com transparência recursos tecnológicos e ver- bas às cidades necessitadas. Assim, o ideal do “Nova Atlântida” poderá ser analisado nacionalmente.