Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 12/01/2021
Segundo o educador Paulo Freire, em sua obra ‘‘Pedagogia da Autonomia’’, a educação é a principal ferramenta de superação das opressões socioeconômicas no país. Nesse contexto, o Brasil enfrenta os problemas relacionados à evasão escolar como obstáculos a serem superados. Diante disso, o atual ensino tradicionalista - responsável por colaborar para a falta de interesse dos alunos- bem como a precária infraestrutura das escolas brasileiras reforçam esse fato social.
Em primeiro plano, é preciso discutir acerca da permanência do ensino tradicional nas escolas. A respeito disso, Paulo Freire defende a importância de uma educação que garanta a autonomia dos indivíduos e possibilite a eles uma leitura do mundo baseada no senso crítico. Esse pensamento, no entanto, não é colocado em prática e é contrariado pela presença de uma educação conteudista, marcada pela deposição de conteúdos na mente dos alunos. Esse quadro resulta na ausência de interesse dos estudantes pelas aulas, os quais passam a ter dificuldades de aprendizagem e buscam outras oportunidades fora das escolas, o que pode causar instabilidades ao prejudicar a futura entrada no mercado de trabalho e intensificar o processo de desigualdade social e de renda.
Em segundo plano, cabe mencionar os problemas ligados à infraestrutura das escolas públicas como impulsores da evasão escolar. Para o filósofo John Locke, é dever do Estado promover ações que garantam o bem estar dos cidadãos. Nota-se, entretanto, o rompimento dessa ideia devido a maneira como diversas regiões do Brasil, principalmente, as mais vulneráveis socioeconomicamente, são colocadas à margem do descaso com a ausência de verbas destinadas à melhoria do ambiente escolar, assim como demonstrado no documentario ‘‘Pro dia nascer feliz’’ as dificuldades enfrentadas pelos alunos e professores nas redes públicas de ensino, as quais possuem salas de aula precárias, os banheiros sem condições de uso e a carência de professores, o que confirma a ineficiência estatal e a urgência de alterar essa triste realidade socioeducacional.
É necessário, portanto, medidas para a resolução desse problema. Por isso, com o fito de aumentar o interesse dos alunos pela formação escolar, o Ministério da Educação deve promover uma reforma no currículo educacional, por meio da contratação de especialistas na área da educação, especialmente, os inspirados na metodologia ativa de Paulo Freire - que envolve, por exemplo, a proximidade dos conteúdos com o cotidiano dos alunos. A fim de melhorar a infraestrutura das escolas brasileiras, é preciso que se estabeleça uma parceria entre o Ministério da Educação e as redes privadas de ensino, de modo que seja feita uma revitalização dos espaços, por meio de uma parceria público-privada - haja vista a necessidade de financiamento para essa iniciativa. Desse modo, a evasão escolar diminuirá.