Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/01/2021
No livro “Nova Atlântida”, Francis Bacon, filósofo inglês, concluiu que o conhecimento é o poder a partir da ideia de que a educação é a medida mais poderosa para a salvação do homem. Tangente à essa perspectiva, é perceptível que esse pensamento é um desafio a ser consolidado no Brasil, já que a evasão escolar é uma realidade no cenário brasileiro. Tal problemática é motivada tanto pelas desigualdades sociais vigentes quanto pela falta de investimentos.
Primeiramente, cabe ressaltar o período colonial, no qual apenas os descendentes de pessoas com notoriedade social apresentavam condições suficientes para frequentar o ambiente escolar. Hodiernamente, mesmo que esse cenário tenha sido revertido, as raízes deles são vistas cotidianamente, uma vez que pessoas hipersuficientes possuem recursos adequadas para que seus filhos tenham um ensino condizente com as expectativas pessoais. Em contrapartida, diversos discentes brasileiros, principalmente os situados na periferia, encontram-se desmotivados, posto que as barreiras impostas pela sociedade e o pouco apoio comunitário os fazem carecer desses privilégios. Dessa forma, nota-se que, enquanto a desigualdade for preponderante, diversos estudantes hipossuficientes estarão propensos à evasão escolar, o que vai contra o desenvolvimento isonômico.
Ademais, ainda que a Constituição Federal assegure que a educação é um direito social de todos, ela não é desfrutada adequadamente pela nação canarinho em sua totalidade, visto que o ensino, como exemplo o público de cidades interioranas, não apresenta mecanismos tecnológicos e didáticos que o torne interessante e assimilativo. Conforme os dados da sínteses de indicadores sociais divulgada, em 2019, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a evasão escolar dos adolescentes no Norte e Nordeste atingiu cerca de 9,2%. Nesse sentido, caso não ocorra uma distribuição justa de benefícios, a existência de indivíduos à margem da sociedade e com pouca reflexão individual e habilidade técnico-cognitiva ainda será uma triste realidade nacional.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que a evasão escolar deixe de ser uma realidade. Destarte, as instituições escolares, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), devem realizar atividades extracurriculares e disruptivas,por meio de aparelhos tecnológicos e brincade- iras interativas, para que os alunos se tornem protagonistas e vejam o ambiente escolar como convida- tivo e de extrema importância.Essa medida será efetivada através da inclusão e participação dos alunos em olimpíadas e desenvolvimento de grêmios estudantis. Faz-se imperativo, também, que o MEC exija que a Secretaria de Educação dos Estados forneça, com transparência, recursos tecnológicos e ver verbas às cidades necessitadas. Assim,o ideal do “Nova Atlântida” poderá ser analisado nacionalmente.