Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/01/2021
A série “Sintonia”, da Netflix, mostra o cotidiano de jovens de uma periferia de São Paulo que decidem largar os estudos para se dedicarem à outras formas de ascensão na comunidade em que moram. Fora da ficção, essa realidade não é tão diferente, pois, no Brasil, a evasão escolar se configura como um grave problema, na estrutura educacional, que possui raízes amargas tanto na pressão financeira sobre jovens de baixa renda quanto na gravidez precoce. Além disso, cabe ressaltar que essa problemática tem como consequências a ameaça à cidadania do indivíduo e a maior vulnerabilidade social deste em sociedade, cujas oportunidades estão cada vez mais escassas.
Diante desse cenário, é importante salientar que uma das principais causas da evasão escolar está no fato de que algumas crianças carentes precisam ajudar financeiramente no sustento de suas famílias. Nessa esteira, esses jovens se veem compelidos a abandonar a escola e, assim, dedicar esse tempo ao trabalho. Adicionalmente, uma outra causa do abandono escolar é a gravidez precoce que acomete vários adolescentes. Paralelamente, no longa-metragem norte americano “Preciosa”, essa questão é abordada quando a protagonista, uma garota de 16 anos, se vê obrigada a largar os estudos para se dedicar à nova “profissão” materna. Isso, ainda, é confirmado de acordo com dados do IBGE, os quais apontam que 1,3 milhões de jovens, entre 15 e 17 anos, estão fora das escolas, tendo como principais motivos o trabalho infantil, a gravidez precoce e a falta de engajamento com o modelo acadêmico atual.
Por conseguinte, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nesse aspecto, observa-se, consequentemente, que a falta de escolaridade se configura como uma ameaça à cidadania do indivíduo. Isso é afirmado, uma vez que este tem muitos dos seus direitos constitucionais negligenciados perante uma sociedade exigente e competitiva, em que empresas privilegiam, cada vez mais, currículos profissionais com elevada qualificação estudantil. Sendo assim, aquele jovem que abandona os estudos tende a entrar para a parcela de desempregados do país e, com isso, pode acabar aderindo ao mundo do crime como uma alternativa contra a miséria.
Portanto, com vistas a reduzir os índices de evasão escolar, o Ministério da Educação, em parceria com o poder legislativo, por meio da verba arrecada em impostos públicos, deve desenvolver um projeto de amparo ao estudante, que forneça bolsas de estudo para crianças de baixa renda. Esse projeto deve oferecer bônus financeiros, que serão creditados à família desses alunos, como forma de estimular a permanência destes em sala de aula. Além disso, é importante que o governo federal promova aulas de educação sexual nas escolas, a fim de reduzir a gravidez precoce. Só assim, será possível combater o abandono escolar e fazer jus à visão kantiana sobre a importância da educação.