Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/01/2021

O curta-metragem “Vida Maria” retrata um cenário marcado pelas dificuldades que as crianças enfrentam para estudar e que muitas vezes retiram delas esse direito. Assim como na obra, a realidade brasileira também apresenta condições que corroboram para que os estudantes deixem a escola antes de concluírem seus estudos. Nesse sentido, a evasão escolar é fortalecida por vários mecanismos, dentre eles as circuntâncias desfavorecidas que aumentam ainda mais a desigualdade social.

Sob esse viés, verifica-se que o abandono da escola antes de concluí-la é motivado principalmente pela condição social dos alunos. Segunda dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, cerca de 44% dos jovens com idade entre 15 e 16 anos trabalham. Dessa forma, a dupla jornada de trabalho e estudo coopera para que os indivíduos fiquem mais sobrecarregados e não vejam a escola como essencial em suas vidas, o que faz com que uma grande  parcela de estudantes evada da escola.

Além disso, a evasão escolar acentua as disparidades sociais. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação tem o poder de transformar uma sociedade, tendo em vista sua capacidade de formar seres humanos críticos da realidade social. Todavia, o abandono escolar diminui consideravelmente as chances  de progressão social, uma vez que crianças e jovens têm essa oportunidade retirada de si, o que deixa esse grupo à mercê da alienação política, trabalhos desqualificados e com condições precárias, além da falta de criticidade para requerer seus direitos como cidadão. Logo, esse cenário precisa ser mudado, visto ser a educação um pilar para a dignidade humana.

Portanto, ao considerar que a evasão é um problema de grandes proporções no Brasil e que acarreta tantas consequência negativas, é necessário que haja a tomada de ação para amenizar esse impasse. Para isso, as escolas de educação básica, junto às Secretarias de Assitência Social devem mapear e conhecer os bairros e alunos que mais faltam ou que abandonaram a escola para fazer um plano de ação individual, a fim de compreender a realidade do aluno e ajudá-lo a se inserir novamente no ambiente escolar. Dessa forma, por exemplo, aos alunos que são de família baixa renda e que precisam trabalhar de forma integral, deve-se disponibilizar uma bolsa auxílio, àqueles que passam por problemas psicológicos devem ser encaminhados para tratamento com profissionais adequados, dentre outras intervenções. Assim, “Vida Maria” será apenas uma obra de ficção e não uma amostra do cenário educacional brasileiro.