Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/01/2021

Ulisses Guimarães - ex-deputado federal e participante da Assembleia Constituinte - ao promulgar a Constituição Federal de 1988, que está em vigor até os dias de hoje, fez um discurso marcante com a promessa de tornar a Carta Magna a voz da sociedade rumo à mudança. No entanto, no que se diz respeito à evasão escolar, vê-se que os jovens ainda enfrentam barreiras no Brasil. Nesse âmbito, é lícito destacar como principais causas do problema: a negligência governamental e a desigualdade social.

Primeiramente, é válido destacar que a falta de atenção governamental contribui para os crescentes níveis de evasão escolar. Segundo o portal “Agência Brasil”, entre 2004 e 2014, 1,3 milhão de jovens deixaram de completar o ensino médio, tal fatia populacional, no futuro, terá dificuldade ao tentar ingressar no mercado de trabalho. Diante disso, é importante salientar que o desleixo governamental contribui para a evasão do jovem da escola e, consequentemente, para o aumento da busca por trabalhos ilícitos.

Ademais, é pertinente ressaltar que a desarmonia social social no país contribui para a não democratização desse direito tão importante: a educação. Segundo o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade social em um país, o Brasil está entre as 10 (dez) nações mais desiguais do mundo, o que explica o aumento gradual do problema no país pois, de acordo com a revista “Veja”, da editora “Abril”, um dos principais motivos da evasão escolar é a necessidade de se trabalhar. Dessa forma, é indubitável que a disparidade social proporciona, por consequência, uma diminuição na quantidade de matrículas em escolas anualmente.

Torna-se evidente, portanto, que a evasão escolar, no Brasil, é um entrave que precisa ser solucionado. Sendo assim, o Ministério da Educação (MEC) deve investir na ampliação do sistema de atendimento individualizado escolar. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio da contagem bimestral de alunos nas escolas - contando com o apoio do conselho tutelar do município em caso de falta prolongada - para que, junto dos professores, possa haver uma pesquisa sobre as necessidades de cada evasor, buscando resolvê-las, a fim do retorno do aluno à escola. Desse modo, certamente, a educação no Brasil se tornará mais humana e democratizada.