Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/01/2021
A série “Sintonia”, da Netflix, mostra o cotidiano de jovens de uma periferia de São Paulo que decidem largar os estudos para se dedicarem às outras formas de ascensão na comunidade em que moram. Fora da ficção, é notório que essa realidade não é tão diferente, pois, no Brasil, os índices de evasão escolar se configuram como um grave problema na estrutura educacional, que possui raízes amargas na precariedade das instituições e no estilo de ensino adotado no país. Além disso, cabe ressaltar que essa problemática tem como consequências a ameaça à cidadania do indivíduo e a maior vulnerabilidade social deste em sociedade, cujas oportunidades estão cada vez mais escassas.
Diante desse cenário, é importante salientar que uma das principais causas da evasão escolar é o sucateamento das instituições estudantis, principalmente em áreas de periferia, onde materiais didáticos e, muitas vezes, o próprio ambiente escolar se encontram em situações deploráveis. Adicionalmente, é imperioso ressaltar a modalidade altamente conteudista de ensino utilizada no Brasil. Segundo o escritor e patrono da educação brasileira, Paulo Freire, vive-se um modelo de ensino bancário, no qual os professores enxergam os alunos como contas vazias, nas quais são depositadas constantes informações, formulas e saberes, sem que na prática isso vá, de fato, representar algo na vida do estudante, ou seja, sem estimulá-lo a compreender a importância daquilo que foi aprendido. Dessa forma, a precariedade do ensino associada à forma conteudista agem como fatores repulsivos à permanência e continuidade do jovem dentro das escolas.
Por conseguinte, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nesse aspecto, observa-se, consequentemente, que a falta de escolaridade se configura como uma ameaça à cidadania do indivíduo. Isso é afirmado, uma vez que este tem muitos dos seus direitos constitucionais negligenciados perante uma sociedade exigente e competitiva, em que empresas privilegiam, cada vez mais, currículos profissionais com elevada qualificação estudantil. Sendo assim, aquele jovem que abandona os estudos tende a entrar para a parcela de desempregados do país e, com isso, pode acabar aderindo ao mundo do crime como uma alternativa contra a miséria.
Portanto, com o objetivo de combater a evasão escolar e potencializar a permanência do indivíduo na escola, o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve elaborar projetos de valorização das escolas públicas, por meio de verbas governamentais. Esse ação deve reformular o ambiente escolar, a partir de investimentos em novos livros didáticos de qualidade. Além disso, o projeto em questão deve conter reformas revitalizadoras dentro dessas instituições de ensino, para reverter o aspecto de sucateamento deste ambiente e, assim, fortalecer o engajamento dos alunos.