Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 12/01/2021
A partir do final da década de 1930, a educação gratuita se tornou um direito fundamental de todo cidadão brasileiro. Essa democratização à capacitação escolar melhorou significativamente as condições de analfabetismo no país. Entretanto, o contexto educacional contemporâneo conservou a exclusão e o abandono escolares, uma vez que a realidade do Brasil é impactada negativamente tanto pela depreciação da capacitação formal quanto pelo afastamento locacional.
Em primeiro lugar, a perspectiva de empreendedorismo individual diminui drasticamente o número de estudantes dedicados à formação tradicional. Segundo o educador financeiro norte-americano Robert Kiyosaki, a sociedade atual busca alternativas aos ambientes acadêmicos e laborais. Isso porque o investimento de tempo na preparação escolar convencional não apresenta resultados imediatos, como o rápido acúmulo de riqueza ou a aquisição de status na mídia. Todavia, os requisitos mínimos de capacitação educacional ainda são exigidos por companhias para se pleitear uma vaga de emprego estável e bem-remunerada. Dessa forma, muitos indivíduos optam pela desistência acadêmica para seguir uma falsa ilusão de prosperidade material ou pessoal mais rápida.
Em segundo lugar, a segregação geográfica influencia negativamente a permanência dos brasileiros nos educandários. Nessa perspectiva, o livro “Vidas Secas”, do escritor brasileiro Graciliano Ramos, revela a vida de escassez das pessoas assoladas por seu contexto socioeconômico e locacional. Da mesma forma, muitos indivíduos no Brasil se encontram privados da alimentação, da moradia, da segurança e do transporte. Por exemplo, retirantes nordestinos isolados dos centros urbanos priorizarão o trabalho para subsistência em detrimento da educação, pois não possuem condições financeiras para se deslocar até as instalações educacionais. Dessa forma, a desistência escolar é agravada pelas condições deficientes de acessibilidade ao espaço citadino.
Portanto, a evasão escolar no país é consequência da desvalorização das formações profissionais tradicionais e da falta de alcance dos centros educacionais. Nesse sentido, o Ministério da Educação deverá incluir cursos técnicos das áreas de tecnologia e de administração no ensino médio, por meio de aulas extraclasse semanais, a fim de capacitar os jovens nas tendências do novo mercado de trabalho e de coibir o abandono escolar. Além disso, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Regional – órgão responsável pela infraestrutura urbana – facilite o trânsito entre os centros urbanos e as localidades isoladas, por intermédio da ampliação da frota de veículos do transporte público, com a finalidade de oferecer condições igualitárias de acesso aos educandários. Assim, em poucas décadas, um número expressivo de brasileiros usufruirá da formação escolar digna.