Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 09/01/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegura a educação básica como direito de todos indivíduos, percebe-se que essa conjuntura não é comprida no Brasil, pela alta taxa de evasão escolar, que contribui para ausência da execução dessa regência. É notório que a escassez de transporte escolar abre lacunas para a saída do aluno da escola. Ademais, o trabalho infantil é um dos grandes responsaveis pela desistencia de estudar.

Nesse sentido, destaca-se que a carência de locomoção dos estudantes interfere diretamente na sua estadia na sala de aula.Não há dúvidas que a negligência governamental, nesse quesito traz barreiras para todo sistema de educação, já que sem o transporte, essas pessoas não tem como comparecer na escola, comprometendo o ensino, uma vez que 42% dos municípios não oferecem transporte escolar de acordo com o programa"Caminhos da Escola”. Nesse contexto, vale ressaltar que as cidades com transporte, na maior parte dos casos, não são de qualidade, por muitas vezes ônibus já degradados e nas zonas rurais, em muitas situações, em caminhões “pau de arara”, como foi evidenciado no programa “CQC”. Desse modo, atenuando mais as dificuldades de quem busca o ensino e muitas vezes estimulando a sua desistência.

Além disso, pode-se afirmar que o trabalho infantil é uma causas da ocorrencia da evação escolar. É inegável que quando um jovem, em situação de vulnerabilidade, se vê obrigado a trabalhar para colocar comida em casa ao invés de estudar, a decisão de largar a escola é praticamente certa, pois a ação de ajudar em casa é imediata, enquanto o resultado de frequentar a sala de aula é a longo prazo. Isso pode ser afirmado tendo em vista que 2,4 milhões de crianças são privadas de estudar, pois estão contribuindo na renda familiar, através da venda de sua força, segundo o G1. Logo, o pensamento de Thomas Hobbes que a intervenção estatal é necessário como forma de proteção de indivíduo de maneira eficaz não se concretiza, haja vista que o Estado deixa-os à mercê do abandono escolar, quando não proporciona uma estabilidade mínima à essas famílias, os levando a escolher entre estudar, um direito básico garantido a todos, ou sustentar sua família.

Fica claro, portanto, que é vital a ação do Ministério da Economia - que tem como função cuidar da formulação e execução da política econômica - deve destinar mais verbas para comprar e reformar ônibus e vans. Isso pode ser feito por meio da inclusão desse objeto na Lei de Diretriz Orçamentária. Dessa forma, é garantido a locomoção dos alunos até as escolas. Também, o Governo Federal deve ampliar o montante do Bolsa Família, assim assegurando uma estabilidade financeira aos vulneráveis , para que as crianças possam ir à escola ao invés de trabalhar.