Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 11/01/2021

Anteriormente ao século XIX, era comum que os filhos de famílias brasileiras ricas fossem estudar na Europa, enquanto os que aqui ficavam, dificilmente tinham contato com a educação, por conta da falta de escolas. Nos dias atuais, o acesso às instituições de ensino se democratizou, mas ainda assim, a desigualdade social não permite a sua usufruição completa. Isso acontece devido à evasão escolar que, no Brasil, ocorre pela necessidade de trabalhar desde a juventude e pela escassez de orientação a esses alunos.

A princípio, muitos pais que possuem condições financeiras ruins incentivam seus filhos a trabalharem, ao invés de estudarem. Isso se comprova com o dado do estudo Aprendizagem em Foco, de que a média econômica familiar dos alunos que não terminaram o ensino fundamental por pessoa é de 436 reais, o que demonstra a necessidade do filho trabalhar para contribuir na renda familiar. Nesse sentido, observa-se que é natural a falta de apoio à educação por parte dos pais, já que esta traz retornos apenas a longos prazos.

Ademais, esses indivíduos que evadem a escola, em geral, não possuem orientação sobre a importância da educação, não apenas no sentido financeiro, mas também no crescimento pessoal. Essa situação é ilustrada com o pensamento do antigo filófofo grego Pitágoras, de que é preciso educar as crianças para que não seja preciso castigar os homens; o que não está sendo feito no momento. Diante disso, nota-se que a falta de referência deixa de incentivar e educar o aluno, propiciando o processo de saída precoce das instituições de ensino, a qual influenciará negativamente em sua trajetória no futuro.

Sendo assim, fazem-se necessárias ações governamentais de combate a evasão escolar no Brasil. Em primeiro plano, cabe ao Ministério da Economia, por meio de uma parceria com o Ministério da Educação, enviar aos pais questionários anuais que abordem a condição econômica ese, for comprovada renda inferior a meio salário mínimo por pessoa, fornecer ajudas de custo que complementassem a receita, mas exigisse frequência maior que 90% do aluno nas aulas, para que assim, as crianças e adolescentes não precisem abandonar a escola para trabalhar. Além disso, as escolas de nível fundamental e médio deveriam, por meio de palestras, incentivar os alunos a terminarem os estudos, abordando a importância da educação na formação do indivíduo e de sua carreira profissional, para que dessa forma, os alunos recebam orientação e se sintam motivados a concluir os estudos pelo menos até o ensino médio. Assim, a desigualdade social deixará de impactar significativamente na evasão escolar que ocorre no Brasil.