Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/01/2021

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas, compõem uma agenda mundial que dentre todos os propósitos destaca-se o acesso à educação para todos. No entanto, tais perspectivas parecem distantes da atual realidade, visto que ainda se observa a persistência das causas de afastamento escolar no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto da postura ineficiente do Estado em relação ao sistema educacional e as desigualdades sociais. Desse modo, tais razões geram um ciclo disfuncional e segregador que perpetua o problema na contemporaneidade.

Em primeiro plano, é lícito afirmar que a ineficiência estatal promove a evasão nas escolas. Isso porque, o Ministério da Educação cria políticas públicas para melhorar a educação deficitária e democratizá-la em todo território, porém não as desenvolvem eficientemente. Esse panorama é evidenciado pelo IBGE, que constatou que o Plano Nacional de Educação, criado pela instituição em 2010, está com 80% das metas estagnadas. Acerca disso, é pertinente evidenciar que essa conjuntura resulta no desengajamento dos estudantes e consequentemente no abandono escolar, pois mantém o ensino precário no país, devido a negligência de investir em ações para aumentar o acesso e valorização do ambiente.

Ademais, as desigualdades sociais também contribuem com a continuidade do problema, porque desenvolve nas crianças e adolescentes de lugares periféricos a necessidade de trabalhar, mesmo que informalmente, para ajudar com a renda da família. Esse fato é comprovado pela pesquisa do Pnad, que comprovou que a cada 10 jovens, 40% abandonam o colégio por esse motivo. Sob esse viés e partindo do pressuposto kantiano, no qual diz que o homem é aquilo que a educação faz dele, torna-se mister a reformulação desse quadro, porque reprime esses jovens de exercitar habilidades necessárias para uma participação ativa na sociedade, como ingressar em uma universidade e perdura um ciclo vicioso na nação: o analfabetismo e o subdesenvolvimento.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para amenizar a problemática atual. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, por meio de investimentos de instituições privadas e com objetivo de expandir a educação no país, criar escolas próximas de áreas rurais e periféricas, aumentar as vagas ofertadas e ampliar as redes de transporte gratuito para atender os alunos. Além disso, é necessário que o Ministério da Economia aumente os programas de assistência financeira, como o Bolsa Família, para contribuir com a renda das famílias vulneráveis. Feito isso, o Brasil cumprirá os objetivos previstos pela ONU e propagará uma reação ao problema inerte.