Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 11/01/2021

Segundo a professora e escritora Bell Hooks, a educação tem o papel fundamental de ser libertadora. Em contrapartida, no Brasil, vemos um sistema educacional que se opõe a esse pensamento, já que o abandono dos estudos vem crescendo cada vez mais. Nesse sentido, destacam-se os impactos da desigualdade social e da falta de valorização das individualidades e necessidades dos alunos no agravamento da evasão escolar.

Em primeiro lugar, é indubitável que a desigualdade social é um problema que atinge o Brasil e promove diversos impactos negativos, como a necessidade de jovens estudantes necessitados, escolherem entre trabalhar ou estudar. Esse fato, é decorrente da formação cultural nacional, visto que a colonização do Brasil, iniciada no século 16, foi voltada para a exploração de seus recursos, fazendo com que a elite tivesse privilégios de renda enquanto outras parcelas da população eram marginalizadas. Dessa forma, vê-se uma perduração incoerente da desigualdade ainda nos dias atuais, tornando os jovens incapazes de continuarem seus estudos, já que precisam trabalhar e ajudar suas famílias, ou seja, abandonam a educação com intuito de sobreviver.

Outrossim, é notório a falta de um tratamento que se adeque a individualidade e particularidade de cada aluno. Segundo dados do INEP, 1,3 milhões de adolescentes de 15 a 17 anos não estão estudando, esse números exorbitantes, revelam que a educação está longe de ser abrangente e democratizada, já que, se assim fosse, haveriam medidas públicas que auxiliariam a manutenção dos mesmos no ambiente escolar. Dessa forma, é imprescindível resolver as causas desse fato e considerar a valorização das individualidades e empecilhos de cada um, para que transgridam fronteiras raciais, sexuais e de classe, de modo à garantir o acesso a uma educação de qualidade ao povo Brasileiro.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente que o Brasil é um país que passa por graves problemas sociais que agravam cada vez mais a formação educacional, principalmente dos jovens, que são obrigados a abandonar o sistema de ensino. Nesse prisma, cabe ao Ministério da Educação, criar um projeto de lei que será entregue a Câmara dos Deputados, que ajude financeiramente, com bolsas que auxiliem a permanência escolar, pessoas que declarem possuir renda abaixo de um salário mínimo e que estejam em processo de formação escolar, com intuito de favorecer a inclusão educacional e amenizar as diferenças sociais. Somente assim, haverá uma aproximação da realidade explanada por Bell Hooks, e uma transformação de uma educação seletiva, para uma educação libertadora e democratizada.