Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 12/01/2021
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. A presente frase de Nelson Mandela versa sobre o poder da educação na efetivação de grandes transformações sociais. No entanto, ao se falar sobre educação no Brasil, nota-se a existência de elevados índices de evasão escolar favorecida por diversos fatores sociais. Nesse sentido, não só uma educação que carece de qualidade, mas também uma realidade social de baixa renda e pouca escolaridade contribuem para a alta taxa de abandono escolar.
Em primeiro lugar, verifica-se a precariedade de grande parte de instituições de ensino público. Segundo o Artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos e dever do Estado, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa e ao seu preparo para o exercício da cidadania. Nessa perspectiva, a todo indivíduo é assegurado um ensino de qualidade, que o permita se amoldar ao tecido social. Contudo, um paradoxal asseguramento de direitos é estabelecido; paradoxal porque se por um lado se tem escolas, por outro, na maioria dos casos, estas não apresentam estrututa e ensino de qualidade. Desse modo, é inviabilizada uma plena inserção na conjuntura social e um pleno desenvolvimento pessoal, e assim, viabilizado um maior abandono escolar, contribuindo para uma sensação, por parte do aluno, de perda de tempo na sala de aula, uma vez que não se consegue absorver o que é ensinado.
Outrossim, vale ressaltar a pobreza e a falta de escolaridade como fator impulsionante ao abandono escolar. De acordo com uma pesquisa da Síntese de Indicadores Socias(SIS), de 2019, a proporção de pobreza no país corresponde a 24,7% da população, um número ainda sim preocupante. Paralelamente, para Pierre Bourdier, em sua teoria “habitus”, a sociedade incorpora as estruturas que lhe são impostas, e as reproduz, tomando-as para si. Nesse contexto, ao viver em um ambiente de baixa renda e pouca instrução escolar, o indivíduo incorpora tal realidade social e educacional, sentindo-se impelido a deixar a escola para e buscar um trabalho para ajudar economicamente a família. Por conseguinte, os elevados números de pessoas na linha da pobreza mediam elevados números de evasão escolar, como uma forma de reprodução da realidade social vivenciada.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, braço do governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, juntamente com as escolas, por meio de implementações para um ensino de mais qualidade, que permita o aluno compreender o que é dito em sala de aula, e uma estrutura mais acolhedora, que entenda as realidades sociais dos alunos e assista de perto seus desenvolvimentos. Dessa forma, a educação poderá mudar, então, o mundo e a vida de muitos jovens.