Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/01/2021

A Revolução Industrial foi um período histórico que culminou na transição de um mundo cerceado para outro amplo em conquistas, inovações e oportunidades. Em consonância a isso, esperava-se que, na hodiernidade, a sociedade estivesse em pleno gozo de tais conquistas. No entanto, quando se observa questões como a evasão escolar presente na realidade brasileira, fica evidente o retrocesso histórico a qual o país é submetido, em razão da ausência de ações governamentais e da desigualdade social. Diante da seriedade do problema, cabe debater acerca dos impasses que prejudicam a solução.

Primeiramente, vale ressaltar a ideia de Aristóteles que afirmou que o objetivo principal da política é garantir a felicidade dos cidadãos. Porém, percebe-se que essa tese do filósofo não se aplica a evasão escolar, porquanto o estado não garante a aplicabilidade correta dos investimentos públicos, melhorando os principais obstáculos enfrantados pela população que não frequenta o ambiente escolar, como o acesso ao transporte exclusivo, a infraestrutura das escolas e o auxílio às famílias de baixa renda, para que, os jovens não tenham que escolher entre o trabalho e os estudos. Assim, sem o comprometimento do poder estatal em aplicar políticas públicas para solucionar o revés, é notório que a ideia de bem-estar, da qual defende o pensador, não se materializa no país e, por isso, a resolução do cenário é praticamente utópica.

Ademais, o fato da desigualdade social ser amplo na esfera nacional faz com que o subterfúgio escolar persista. Em 1808, com a vinda da corte portuguesa ao Brasil no período colonial, os primeiros investimentos sociais voltados à educação surgiram, no entanto, eram exclusivos a elite populacional e de nenhum acesso a outras camadas sociais. No entanto, a partir do século XX, a constituição garante o acesso à educação como um direito de todos os cidadãos, fato que, na prática não é concretizado, pois, segundo o IBGE, cerca de 52% dos jovens atualmente não concluem o ensino fundamental no país, isso ocorre devido às limitações financeiras familiares e ao ambiente que estão inseridos. Sendo assim, essa realidade deve ser modificada para que as garantias constitucionais sejam efetivadas.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária e, para isso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pela execução da política nacional da educação, por meio dos trâmites legais, realizar uma campanha nacional de combate à evasão escolar, com o fito de minimizar as graves consequências decorrentes da situação. Além disso, deve, por meio das verbas governamentais, investir na renovação da frota escolar em todo país e também, disponibilizar uma bolsa estudo aos estudantes de baixa renda, por meio da análise de cadastros, a fim de incentivar a permanência de criança e jovens na escola, e dessa forma, possibilitar a construção de uma nação gradativamente evoluída.