Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/01/2021

Após a Proclamação da República, em 1889, diversos símbolos pátrios passaram por um processo de substituição, incluindo a célebre bandeira nacional. Inspirado nos ideais positivistas, o lema de “Ordem e Progresso” se fixou como característica marcante da identidade brasileira e perdura até os dias atuais. Ao sair do campo teórico, entretanto, e analisar a evasão escolar, nota-se que os termos idealizados na bandeira não se concretizam, já que falhas no sistema educacional e a desigualdade social inviabilizam a resolução do entrave.

Sob esse viés, é lícito postular as falhas no sistema educacional como impulsionadoras desse revés. Segundo a pensadora Maria Vera Candau, o sistema de ensino atual está preso nos moldes do século XXI e não oferecem propostas para as necessidades hodiernas. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo das escolas que visam disseminar apenas conteúdos técnicos em detrimento da formação cidadã do aluno, a falta de incentivo dos profissionais da área educacional faz com que inúmeros sujeitos não se sintam incluídos no ambiente escolar e, por consequência, abandonam a escola sem concluir o ensino básico. Diante disso, a ausência de acompanhamento escolar restringe a formação educacional dos indivíduos.

Ademais, os fatores econômicos têm relação direta com a evasão escolar. De acordo com o político alemão Adenauer, todos vivem sob o mesmo ceú, mas nem todos sob o mesmo horizonte. Nessa conjuntura, o pensamento exposto se evidencia ao analisar a discrepância de oportunidades de estudo, já que muitos jovens precisam abandonar o ambiente escolar para ajudar na renda dentro de casa, na grande maioria das vezes a pedido dos pais. Dessa forma, o estudo não se configura como o pilar fundamental a essas famílias, posto que o sustendo diário demanda mais atenção, e a participação dos pequenos é fundamental para essa renda.

Portanto, é mister que órgãos responsáveis tomem providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, promova maiores incentivos aos estudos através de uma reavaliação do sistema educacional – por meio de gincanas e workshops nas escolas, debates acerca da formação de profissionais e ampliando a visão de futuro das mentes jovens – a fim de que os alunos despertem uma maior vontade de frequentar periodicamente o instituto de ensino. Além disso, cabe ao governo prestar assistência financeira as famílias de baixa renda – com a implementação de auxílios financeiros – a fim de que os pais consigam permitir que os filhos continuem a construir um futuro através do conhecimento educacional.