Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/01/2021
A série “Orange is the New Black”, exibida pela plataforma de streaming Netflix, em sua primeira temporada adquiriu a atenção do espectador ao retratar a história de um grupo de detentas. Assim sendo, a mais nova delas, denominada Trisha, adentrou no mundo da criminalidade após largar os estudos no ensino médio. Fora das telas, a evasão escolar é uma grave questão em pauta no Brasil. Nesse cenário, faz-se preciso compreender como as disparidades econômicas acentuam essa problemática e quais os impactos proporcionados.
Sob essa ótica, é fundamental ressaltar a importância do meio em que o indivíduo se insere na intensificação desse problema. Mediante a isso, conforme ao sociólogo francês Pierre Bourdieu, o ser humano é diretamente influenciado pelo ambiente em que vive. Dessa forma, cidadãos de classes mais baixas, devido à necessidade de ingressarem no mercado de trabalho precocemente para fornecer apoio familiar, muitas vezes, optam por deixar a escolaridade em segundo plano. Assim, de acordo com dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, os índices de evasão escolar foram oito vezes maiores dentre jovens mais pobres, atingindo uma taxa de 11,4%.
À vista disso, essa situação acarreta inúmeros prejuízos para o desenvolvimento pleno do cidadão e do país. Portanto, uma nação com habitantes menos instruídos apresenta menos profissionais capacitados, o que dificulta seu progresso. Isso posto, essa mazela impede o desenvolvimento homogêneo do Estado Nacional, uma vez que diminui seu “índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”. Ademais, consoante ao Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), a população carcerária tende a aumentar nessas condições, pois sem estudos, em alguns casos, muitos passam a ver a criminalidade como única forma de sustento perante condições extremas. Por conseguinte, é evidente as consequências negativas oriundas dessa questão.
Diante do exposto, a evasão escolar é um déficit que precisa ser solucionado. De tal modo, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Educação, promover a inserção de camadas mais marginalizadas no sistema de ensino. Nesse sentido, esse ato será concretizado por meio da parceria com o Ministério da Economia, o qual realizará a integração desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de condicionar parte da verba anual para a elaboração de programas de incentivo, como auxílio monitoria, estágios e pesquisas remuneradas. A esse respeito, isso será feito com o fito de estabelecer a educação como foco principal e fornecer amparo econômico, o que proporcionará melhores condições e afastará os jovens da situação vivida pela personagem Trisha.