Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/01/2021
No século XVIII, durante a revolução industrial, surgida inicialmente na Inglaterra, era muito comum a exploração do trabalho de crianças e jovens, em que ambos ficavam submetidas a jornadas de trabalho exaustivas, e eram privados, inclusive, de estudarem. Analogamente, no Brasil contemporâneo, mesmo a educação sendo um direito social básico, ainda encontra-se um número expressivo de pessoas abandonando as escolas. Destarte, é possível identificar uma maior evasão escolar entre famílias mais pobres, fato que contribui para um aumento na massa de desempregados.
De início, é importante destacar que os dados sobre abandono escolar são alarmantes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em uma pesquisa realizada em 2019, constatou-se que a evasão é oito vezes maior entre pessoas de famílias de classe baixa. Isso indica que muitos jovens, e até mesmo crianças, precisam deixar os estudos para trabalharem e contribuirem com a renda familiar, por desespero ou pressão dos pais em querer evitar que a família viva na miséria. Tal fato alimenta um ciclo de pobreza conhecido no país, já que uma das chances de crescer profissionalmente e conseguir um emprego digno com bom salário é através da formação educacional, que possibilita uma ascensão social e melhor condição de vida para o indivíduo e toda a sua família.
Consequentemente, essa ausência de qualificação profissional que dificulta a busca de empregos, acaba deixando a pessoa com a opção dos empregos informais, caso ela não queira ficar desempregada. Desse modo, cria-se no país uma grande parcela de população inativa, ou seja, por não contribuir com a União mediante pagamentos de impostos acabam ficando sem acesso a direitos sociais básicos. Com isso, é possível entrar em um conceito trabalhado pelo filósofo alemão Immanuel Kant, no qual ele afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele, pois assim, pode-se valorizar mais o ensino e perceber que ele contribui para a formação social do indivíduo, permitindo seu pleno desenvolvimento, e preparando para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.
Infere-se, portanto, que algo precisa ser feito para amenizar a questão da evasão escolar no país. Logo, compete ao Ministério da Educação, através de uma panorama mensal realizado em conjunto com as escolas, famílias e assistências sociais, identificar os alunos que precisaram abandonar os estudos devido a condição econômica da família. Desse modo, será possível que o órgão elabore uma política pública de assistencialismo econômico para essa famílias, no intuito delas permitirem a continuidade do estudo dos filhos. Assim, ao combater a principal causa de evasão escolar no país, o governo estará contribuindo para que essas pessoas tenham condição e oportunidade de sair da pobreza e ajudar não somente sua família, mas também o Brasil.