Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/01/2021
O escritor inglês Thomas More, em sua obra “Utopia”, retrata uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a evasão escolar no Brasil tem se tornado um impasse, o qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto das falhas do sistema brasileiro, quanto das desigualdades econômicas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento do corpo social.
Cabe mencionar, em primeira instância, o defasado sistema educacional do Brasil como ponto relevante à temática. Quanto a isso, sabe-se que a escola deve ser um ambiente de aprendizagem e preparação do indivíduo para a vida. Porém, isso não tem ocorrido, tendo em vista o acentuado número de estudantes que abandonam as salas de aulas. Esse problema ocorre devido aos erros do modelo de ensino brasileiro, que visa mais a quantidade de matérias dadas do que a qualidade que esses conteúdos serão passados, isso gera um desinteresse por parte dos alunos, haja vista que as disciplinas não são apresentadas de maneira atrativa, tornando o ensino cansativo. Dessa forma, dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que 40,3% dos estudantes abandonam a escola por não considerarem os conteúdos apresentados relevantes, evidenciando os aspectos expostos.
Ademais, a elevada disparidade econômica no país é outro fator que contribui para a perpetuação do problema. Conforme o filósofo Mário S. Cortella, a prevalência das desigualdades financeiras impede as famílias menos abastadas de transmitirem a importância dos estudos para seus filhos . Nesse sentido, nota-se que jovens inseridos em classes mais baixas da sociedade tendem a buscar inserção no mercado de trabalho mais antecipadamente, o que, muitas vezes, impede a conciliação com a vida acadêmica, forçando-os a abandonarem os estudos. Esse fato pode ser comprovado pelo estudo Aprendizado em Foco, que indicou que os avanços acadêmicos são diretamente proporcionais à renda.
Fica claro, portanto, medidas são necessárias para a resolução do obstáculo. Dessa maneira, a Escola, mediante a atuação do Ministério da Educação, deve promover uma reforma no sistema educacional brasileiro, através da promoção de cursos, voltados ao corpo docente, que ensinem maneiras de transmitir os conteúdos de forma mais atrativa e relevante, a fim de despertar o interesse dos alunos pela vida estudantil. Outrossim, cabe ao Estado, por meio de verbas governamentais, ampliar o oferecimento de bolsas de auxílio para alunos de baixa renda, para que, assim, a permanência do jovem nas escolas seja fomentada. Com isso, a evasão escolar no Brasil será reduzida e a coletividade se assemelhará à Utopia de More.