Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/01/2021

Na novela “Chiquititas”, exibida no SBT, os personagens Pata, Mosca, Binho, Rafa e Paçoca são crianças que moram na rua e precisam abandonar a escola para poder trabalhar e sobreviver, mas são resgatados por um orfanato e têm a oportunidade de voltarem a estudar. Análogo a isso, no contexto hodierno, crianças e adolescentes deixam a escola e nem sempre têm a chance de voltar. Nesse sentido, torna-se fulcral o debate acerca da evasão escolar no Brasil. Desse modo, urge analisar como a falta de interesse dos jovens e a desigualdade social corroboram para esse quadro.

Em primeiro plano, é lícito postular que, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV),  40,3% dos estudantes abandonam a escola devido a falta de interesse nas aulas. Nessa perspectiva, observa-se que o desinteresse é um dos principais fatores da evasão escolar, uma vez que alunos acham que as aulas têm conteúdo excessivo e sem relação com a realidade. Seguindo essa linha, a falta de motivação tende a perpetua-se, pois as escolas não possuem dinâmicas para se adaptarem aos estudantes. É incontestável, portanto, como a falta de interesse compromete a permanência dos jovens no ambiente escolar.

Por conseguinte, é imperioso ressaltar que uma educação de qualidade é dever do Estado e direito assegurado na Constituição Federal. Entretanto, nota-se que o Estado falha com seu papel, já que segundo a FGV 27,1% das crianças e adolescentes precisam deixar a escola para poder trabalhar e ajudar nas despesas familiares. Diante disso, há a desigualdade social, haja vista que a maioria desses jovens são de baixa renda e sem expectativas de cursar uma faculdade, dado que não possuem recursos sequer para concluir o ensino básico. Nesse viés, infere-se que, para estagnar a evasão escolar, faz-se necessário que o governo atue na reinserção dessas pessoas no ambiente escolar.

Logo, torna-se imprescindível a tomada de medidas públicas que alterem esse cenário. Sendo assim, o Ministério da Educação (MEC), em conjunto com o Conselho Nacional de Educação, deve reavaliar a Base Comum Curricular de forma que atenda as necessidades dos estudantes, – incluir matérias que ajudem no dia a dia, como finanças –, além de proporcionar aulas dinâmicas, com o intuito de despertar o interesse dos jovens. Outrossim, o MEC por meio das escolas públicas carece de criar parcerias com empresas e ofertar estágios para os alunos do ensino médio, a fim de proporcionar experiência acerca do mercado de trabalho e uma renda para os discentes. A partir dessas ações, assim como na novela “Chiquititas”, crianças e adolescentes terão uma nova chance e uma nova perspectiva para com a vida escolar.