Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/01/2021
No documentário “Nunca me sonharam”, dirigido por Cacau Rhoden, são apresentados depoimentos de alunos da rede pública de ensino de todas as regiões do Brasil. Dentre os diversos relatos, estão os de jovens que abandonaram os estudos, evidenciando que a evasão escolar faz parte da realidade brasileira. Nesse sentido, cabe analisar as causas desse grave problema: a desigualdade social e o desinteresse dos estudantes.
Em primeiro plano, é importante frisar que a precariedade de recursos impede que os discentes permaneçam estudando. Essa escassez possui origens históricas, uma vez que o Brasil, desde o século XVI, sempre foi uma colônia de exploração, um modelo de ocupação que desvaloriza a dignidade humana, dado que ele exalta a escravidão e a exiguidade da qualidade de vida do povo. Ocorre que, embora o período colonial tenha ficado para trás, a desigualdade social que começou a ser construída naquela época, ainda assola diversas famílias brasileiras. Como resultado, muitos jovens, a fim de ajudarem a levar o sustento para os seus lares e sobreviverem, acabam deixando as escolas precocemente.
Além do mais, o modelo arcaico de ensino no país é um agravante dessa situação. No texto “Gaiolas e Asas”, do educador e teólogo Rubem Alves, é feita uma metáfora comparando a educação tradicional conteudista com gaiolas que impedem que os estudantes sejam preparados para a vida, quando na verdade, ela deveria ser uma “incentivadora de vôos”. Consequentemente, muitos discentes se sentem desmotivados a continuar frequentando as salas de aula, pois o conhecimento passado de maneira unilateral dos professores para eles não tem aplicação prática no cotidiano, nem auxilia no desenvolvimento pessoal. Logo, é necessário que esse modelo de ensino seja repensado. Enfim, é notório que ações precisam ser feitas para impedir a evasão escolar.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) desenvolver um programa de combate à evasão escolar. Para isso, é necessário que bolsas de auxílio financeiro sejam distribuídas para os alunos em situação de vulnerabilidade social. Além disso, aulas teóricas e práticas, sobre temas como educação financeira e a entrada no mercado de trabalho, devem ser incluídas na matriz curricular das escolas. Como efeito disso, os educandos terão condições de permanecerem estudando, e vão de fato querer isso, em virtude dos conteúdos ministrados que vão dar suporte para eles lidarem com os desafios fora do âmbito escolar.