Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/01/2021

O educador e filósofo Paulo Freire afirma que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Analisando o pensamento e relacionando à realidade do Brasil, percebe-se a necessidade de um olhar mais atento para o número de jovens que vêm abandonando a escola. Diante dessa perspectiva, não há dúvida de que a evasão escolar é um desafio no país, o qual ocorre, infelizmente, devido não só a impedimentos financeiros, como também devido à dificuldade de chegar ao local escolar. Nesse sentido, é necessário que soluções sejam encontradas a fim de resolver essa inercial problemática.

A priori, a educação é o fator primordial no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de ensino acessível, contudo a realidade é justamente o oposto. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil apresenta a 3ª maior taxa de evasão escolar entre os 100 países com maior Índice de Desenvolvimento Humano. Diante do exposto, fica nítido que o abandono das escolas é cada vez mais comum entre os estudantes brasileiros e isso tem como uma das causas a dificuldade de acesso aos centros de educação, principalmente nas zonas rurais, onde muitas vezes não há transportes públicos disponíveis para atender às necessidades dos estudantes.

Faz-se mister, ainda, salientar os impedimentos financeiros como impulsionadores da evasão escolar. Segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho, no Brasil, 68,6% dos rapazes com 15 a 24 anos que foram trabalhadores infantis concluíram no máximo a educação primária. Diante de tal contexto, pode-se afirmar que um dos motivos desse problema é que, para ajudar os pais, que às vezes até proíbem os filhos de continuar os estudos, os estudantes começam a trabalhar sem ter concluído os aprendizados. Outra explicação é que muitos jovens querem começar a ter certa autonomia financeira o mais rápido possível, então abandonam a escola para se dedicar mais ao trabalho e terem um retorno financeiro instantâneo.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à diminuição da evasão escolar. Desta maneira, urge que o Governo, junto com o Ministério da Educação, crie projetos para a construção de escolas públicas em bairros periféricos e em zonas rurais, para facilitar o acesso dos cidadãos destas áreas. Além disso, as escolas, tanto públicas quanto particulares, devem criar projetos de interação e aprendizados com o objetivo que aumentar o interesse dos jovens em continuar a estudar. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora nas condições educacionais