Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/01/2021
De acordo com o educador Paulo Freire “Se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Entretanto, no contexto brasileiro as altas taxas de evasão escolar dificultam as mudanças sociais. Isso é fruto de um sistema educacional desinteressante para os alunos, somado a situações financeiras que exigem que eles trabalhem em vez de estudar para garantir sustento. Em decorrência disso, eles ficam com baixa qualificação e não conseguem se inserir no mercado de trabalho. Portanto, urgem medidas interventivas.
Em primeira análise, é necessário observar o processo pedagógico nacional quando comparado ao de países desenvolvidos. Nesse viés, o seriado de televisão “Garota Conhece o Mundo” evidencia métodos utilizados nas escolas estadunidenses que deixam os discentes mais envolvidos no ensino, tais como a organização de debates acerca de temas científicos nos quais os estudantes devem ser capazes de argumentar tanto a favor quanto contra a tese proposta. Outrossim, o fato do ensino ser público e de qualidade nos níveis elementares garante aos mais pobres uma esperança de mudança de vida através da formação e aquisição de conhecimento. Assim, infere-se que o Brasil peca ao não adotar práticas similares.
Em virtude disso, muitos jovens não enxergam a educação como uma boa forma de assegurar um futuro bem-sucedido e uma possibilidade de mobilidade social. No entanto, o mercado de trabalho exige altas qualificações e níveis educacionais, visto que a competição por vagas de emprego é constante. Nesse prisma, uma das hipóteses de Karl Marx explica a situação: o exército de reserva, termo utilizado pelo sociólogo para designar os cidadãos desempregados que poderiam exercer uma profissão, mas são considerados uma força de trabalho que excede as necessidades da produção. Diante disso, torna-se notória a importância da escolaridade para a inserção no mercado trabalhista.
Dessarte, conclui-se que a abordagem nacional no que se refere ao processo pedagógico é falha. É necessário, pois, que o Ministério da Educação busque novos métodos para implementar nas escolas, tendo como base os países desenvolvidos, a fim de tornar o aluno alguém mais envolvido no sistema e, então, mantê-lo interessado no próprio desenvolvimento. Soma-se a isso a necessidade de criar campanhas de conscientização para fazer a população entender a relevância da educação para a mobilidade social.