Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/01/2021
Segundo uma pesquisa do IBGE, no Brasil, das 50 milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, 10 milhões, ou seja, 20% delas deixaram de concluir alguma etapa da educação básica. Diante desse cenário, é perceptível a necessidade de reconhecer de que forma essa problemática perpassa a desigualdade social na sociedade brasileira como fomentadora da evasão escolar e o motivo da falta de interesse dos indivíduos em relação aos estudos.
Em princípio, vale ressaltar que o Brasil é um país de extrema desigualdade o que é um empecilho para a continuação dos alunos nas escolas. De acordo com a Pesquisa de Desigualdade Social de 2018, 27% das riquezas do país se encontram concentradas nas mãos de 1% da população. Tal fator, explica a realidade de muitos jovens brasileiros, os quais ao adquirirem precocemente a responsabilidade de ajudar suas famílias, financeiramente ou presencialmente, acabam por abandonar os estudos. Além disso, muitos estudantes, principalmente das áreas rurais, vivem em situações de precariedade dos meios de locomoção e enfrentam muitas dificuldades para ir até as instituições de ensino e, por conseguinte, deixam de estudar.
Ademais, vale destacar o Analfabetismo Funcional como precursor desinteresse pelos estudos e, consequentemente, da evasão escolar no Brasil. Assim, esse fator pode ser constatado através dos dados estatísticos do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), os quais indicam que três em cada dez jovens e adultos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, pessoas incapazes de compreender textos simples. Logo, os indivíduos, os quais sofrem com o analfabetismo funcional, não conseguem acompanhar a evolução das matérias ao longo dos anos e, com isso, acabam desanimando, ou seja, criam um desinteresse em aprender e abandonam os estudos.
Por fim, é evidente a imprescindibilidade de instaurar medidas para amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação orientar as escolas a traçar planos de combate e prevenção à evasão, por meio de diagnósticos específicos da realidade dos alunos, a fim de oferecer o suporte necessário para que esse permaneça frequente nas escolas. Desse modo, é necessário a colaboração conjunta entre o Governo Tutelar, a Assistência Social, os Ministérios da Educação, da Saúde e do Transporte para romper os possíveis obstáculos, sejam eles socioeconômicos, no ensino, na saúde ou no deslocamento dos alunos.