Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/01/2021

A Constituição Federal de 1988, principal documento jurídico do país, prevê, em seu artigo 6, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não se aplica na prática, pois o país apresenta altos índices de evasão escolar, o que culmina em um ensino básico incompleto. Dentre os principais fatores que ocasionam essa problemática estão a necessidade de trabalhar e a falta de interesse na formação educacional, por parte dos alunos. Dessa forma, é mister que haja uma maior preocupação governamental para reduzir a evasão escolar no Brasil.

A situação socioeconômica da população brasileira está intrinsecamente ligada à formação educacional da população, pois os integrantes das classes mais ricas possuem maiores chances de permanecer na esfera educacional e investir em uma formação acadêmica. De acordo com o relatório do PNUD, o Brasil é a sétima nação mais desigual do mundo. Tal colocação explica o fato de vários jovens precisarem abandonar os estudos para trabalhar e participar da geração da renda familiar. Assim, nota-se que esses indivíduos sacrificam seus direitos em prol da subsistência familiar, o que promove a perpetuação das desigualdades sociais, através de uma inserção precária no mercado de trabalho.

Outrossim, é válido ressaltar que os centros de ensino público apresentam metodologias precárias, que consistem na preocupação com a passagem de ano, e não na aprendizagem plena por parte dos discentes. Segundo o economista britânico Arthur Lewis, “Investir em educação nunca foi despesa, e sim investimento com retorno garantido”. Sob tal ótica, percebe-se que o Estado deve investir no currículo da grade educacional brasileira e na implementação de métodos que estimulem o prazer pelo estudo, caso o contrário o sitema vigente continuará causando o desinteresse nos alunos, o que permitirá a permanência dos altos índices de evasão escolar.

Conclui-se, portanto, que a evasão escolar é um grande agravante das desigualdades sociais no país. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação promover uma maior proximidade entre os estudantes e a educação, por meio da aplicação de métodos voltados para o desenvolvimento cognitivo de aluno, o que permitirá um ensino mais democrático, a fim de evitar constrangimentos e o possível desinteresse. Ademais, é de suma importância que o governo federal promova a criação de auxílios econômicos, que devem ser direcionados às famílias dos jovens em situação de vulnerabilidade, com o intuito de garantir a permanência dos mesmos no ambiente escolar. Dessa maneira, os investimentos aplicados na educação retornarão na forma de avanços sociais para o Brasil.