Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/01/2021

Segundo o ex-presidente sul africano Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo. Nesse contexto, na contemporaneidade brasileira, a educação também é vista como forma de transformação da sociedade. Contudo, a evasão escolar no Brasil se torna um empecilho para a concretização dessa ideia. Nesse sentido, duas grandes causas explicam essa realidade: a negligência governamental e as fortes desigualdades econômicas.

Em primeira análise, segundo o filósofo francês Rousseau, os homens estabelecem entre si um contrato social, os quais delegam a sua liberdade ao Estado, que, por sua vez, deve garantir o bem-estar da sociedade. Entretanto, essa teoria não se faz verídica no âmbito educacional brasileiro, uma vez que o governo não garante o acesso à educação básica de qualidade, já que o repasse de verbas a esse setor é baixo, o que faz com que as escolas públicas estejam precárias, com falta de professores e de material didático adequado. Dessa forma, a consequência do pouco investimento governamental no ensino básico faz com os alunos fiquem desestimulados de frequentar a escola, o que faz com que os índices de evasão escolar estejam altos, já que, segundo uma pesquisa do IBGE, 10 milhões de pessoas entre 14 e 29 anos não tinham terminado alguma das etapas da educação básica.

Em segunda análise, segundo o sociólogo Jessé Souza, parte da população tupiniquim se encontra em situação de “subcidadania”, isto é, possue, na teoria, os seus direitos, porém, na prática, não os usufrue. Nessa perspectiva, devido às grandes disparidades socioeconômicas entre a população, a permanência de alguns jovens na escola se torna difícil, pois os menos favorecidos encontram dificuldades em concluir o ensino básico, já que são obrigados a deixar a educação em segundo plano, por conta da necessidade de trabalhar desde cedo, a fim de ajudar na renda familiar. Logo, os mais pobres podem ser considerados “subcidadãos”, pois o seu direito constitucional de acesso à educação não é usufruído.

Portanto, medidas devem ser tomadas para combater a difícil realidade brasileira da evasão escolar. Cabe ao MEC, por meio de um maior repasse de verbas públicas, investir adequadamente na educação básica, com a construção de escolas em áreas periféricas, a contratação e capacitação de professores e a compra de material didático, a fim de garantir que os alunos concluam o ensino básico. Ademais, cabe ao governo federal, por meio da contratação de assistentes sociais, identificar crianças carentes que estejam trabalhando, para que o Estado possa dar um amparo a esses famílias, fazendo com que o jovem passe a frequentar o ambiente escolar. Desse modo, assim será possível usar a educação para mudar o mundo, tal como Mandela disse.