Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/02/2021

No documentário brasileiro “Pro dia nascer feliz”, é retratado como, apesar das extremas desigualdades entre as escolas do país, o abandono precoce das instituições escolares está presente em todos os segmentos sociais, independentemente da classe social e da região geográfica. Nesse sentido, é fundamental uma análise acerca de como essa evasão ocasiona uma vulnerabilização social dos indivíduos envolvidos, além do desinteresse enquanto causa primordial desse processo. Dessa forma, faz-se necessária uma atuação do Estado, em conjunto com a sociedade civil organizada, para uma mitigação dessa mazela tão comum na realidade da nação.

Em primeiro plano, é válido salientar como a retirada antes do fim do ciclo educacional cristaliza um estado de vulnerabilidade das pessoas. Isso ocorre porque, por não possuirem uma formação escolar básica, elas, muitas das vezes, recorrem a outras formas de ascensão social, as quais podem, frequentemente, estarem associadas ao mundo do crime, como o tráfico de drogas. Ademais, como garantido no artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos e um dever do Estado: dessa forma, ao se abandonar a estrutura provedora dela, essa garantia não está sendo cumprida, o que desvaloriza a cidadania do brasileiro. Dessarte, com o não cumprimento dessa prerrogativa, outras estão sendo, invariavelmente, afetadas, como o trabalho digno - presente no artigo sexto da Carta Magna -, a afetar, ainda mais, o estado de fragilidade dos indivíduos vítimas da problemática.

Por conseguinte, é importante elencar como o desinteresse pelas aulas ministradas configura-se como um dos pilares dessa problemática. Isso ocorre porque, ao não verem aplicação do que é ensinado na realidade, os estudantes perdem o interesse pelas aulas e preferem focar em algo mais imediato de acordo com suas vontades, como um emprego, mesmo que em condições precárias, mas o qual garantirá uma certa renda para si. Adicionalmente, uma estrutura de baixa qualidade, ou até mesmo inexistente, também contribui para o desdém com as instituições escolares, visto que os alunos, às vezes, não possuem materiais didáticos eficientes e, em casos não tão raros, professores para ministrá-los. Esse cenário pode ser relacionado com o documentário brasileiro “Quando sinto que já sei”, o qual retrata formas alternativas de ensino, indo de encontro com a lógica conteudista atual, e como elas contribuem para uma queda nos índices de evasão escolar, bem como para o desenvolvimento dos estudantes.