Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 22/03/2021
Diferente do abandono escolar - cuja saída do aluno se dá no decorrer do ano - a evasão escolar acontece quando o aluno não é matriculado na série seguinte e consequentemente não frequenta mais uma escola. Destarte, a situação esclarecida configura uma problemática a ser superada no Brasil, tanto por evidenciar um sistema educacional falho quanto por danar perspectivas de futuro do discente.
Na série de livros Harry Potter, os gêmeos Fred e Jorge Weasley decidem deixar a escola por causa da metodologia ineficaz de sua diretora, Dolores. Em comum com a realidade brasileira, a metodologia pedagógica desestimulante é o principal propulsor da evasão escolar. Isso acontece, notoriamente, por causa do pouco investimento na educação básica, que, por sua vez. desprepara o aluno para séries posteriores e mais complexas, como o Ensino Médio. Tal fato é corroborado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que dá à região Nordeste o pior desempenho e, ainda, pelo IBGE, que aponta os maiores índices de evasão escolar no Ensino Médio nessa mesma região brasileira. É reconhecida, portanto, a importância de uma metodologia eficiente e como sua falta ou ineficácia prejudica o discente.
Por conseguinte, jovens que deixam de frequentar uma instituição de ensino sentem-se piores em relação a outros jovens, além de possuir menores perspectivas de renda. À guisa de Maslow, renomado psicólogo norte-americano, o ser humano tem necessidades essenciais e hierárquicas, estando a auoterrealização no topo de sua pirâmide. Seguindo essa linha de pensamento, entende-se que os jovens que não conseguem terminar sua formação escolar possuem sentimentos negativos que envolvem baixa autoestima e pensamentos autodepreciativos. Além disso, suas expectativas de empregabilidade são baixas devido sua menor escolaridade. Tal acontecimento se dá porque o mercado de trabalho altamente competitivo procura por experiência e uma educação superior - evento assegurado pelo IBGE, uma vez que constata maiores índices de desemprego entre pessoas com menor escolaridade. Dessa forma, elenca-se consequências psicológicas e relativas à renda diante do tema em debate.
Logo, à face da necessidade de revisão do sistema educacional brasileiro, impera às instituições de ensino que, por meio do investimento em infraestrutura e tecnologia, torne o processo de aprendizado prazeroso e efetivo, de maneira que o discente não veja a evasão com uma solução para sua eventual dificuldade. Ainda, urge ao MEC reformular a grade curricular de ensino, de modo que insira o aluno como protagonista de seu aprendizado. Assim, será possível atingir um pleno desenvolvimento da educação, que, segundo Paulo Freire, tem o poder de mudar as pessoas e estas, o mundo.