Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 21/03/2021
Para Eduardo Galeano, ilustre sociólogo uruguaio, o subdesenvolvimento da América Latina se deve às conquistas capitalistas da Europa, na lógica de que, para um ganhar, outro há de perder. Analogamente, a elite brasileira se beneficia da evasão escolar, de modo que a falta de escolaridade abre um caminho para a exploração das classes baixas. Nesse prisma, a deficiência de tempo para adolescentes estudarem e a insuficiência de ação estatal são os principais fatores dessa problematização.
A priori, a oportunidade de educação é restringida às classes média e alta. Apesar da Constituição Federal prever a Educação como direito de todos e dever do Estado e da família, o objetivo foi inalcançado visto que, segundo o IBGE, 12% de jovens de 12 a 17 anos de idade não se encontram na escola. Indubitavelmente, um contribuinte a isso é a escassez de tempo que adolescentes de classes baixas têm para estudar, já que têm seu tempo consumido pelo trabalho para complementar a renda familiar.
Outrossim, a evasão escolar não é uma falha do funcionamento do Estado, mas sim um plano societal em prol da hierarquia social. Segundo Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa do mundo – tanto para mudá-lo quanto para destruí-lo. Analogamente, quando a população não se encontra na sala de aula, o povo é submetido a alienação, sendo aproveitado pelo topo da cadeia econômica. A inação do Estado, então, contribui ativamente para a diminuição do bem estar do seu povo e para o lucro exacerbado da elite.
Infere-se, portanto, a necessidade de uma reestruturação da rede de ensino brasileiro. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Saúde, auxiliar famílias que tenham estudantes em sua conjuntura, por meio de depósitos mensais de meio salário mínimo por jovem, durando seu ensino médio inteiro e podendo ser prorrogado até a educação superior. Dessa forma, a responsabilidade de sustentar parentes sai das mãos de secundaristas, os encorajando a se formar da escola e, posteriormente, os incentivando a seguir a carreira universitária. Assim, a sociedade será mais justa e igualitária, não mais baseada no sistema de perdas e ganhos de Eduardo Galeano.