Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/03/2021

No filme “Os Escritores da Liberdade”, Erin Gruwell é uma professora dedicada e que está disposta a ensinar aos seus alunos sobre o mundo em que vivem e, então, utiliza-se de diversas atividades interativas com eles. Fora da ficção, a realidade brasileira está muito distante da que foi construída pela personagem da obra cinematográfica, tendo em vista que as evasões escolares têm aumentado e, por isso, é funtamental que haja uma discussão sobre o problema e como ele pode ser solucionado.

Primordialmente, é evidente que a mecanização e os traços arcaicos são característicos do sistema de educação brasileiro. Dessa maneira, o ensino, que poderia valorizar as capacidades individuais, torna-se frustrante para a maioria dos alunos, o que contribui fortemente para o aumento da evasão escolar, conforme os dados do Instituto Unibanco de que cerca de 52% dos adolescentes de 15 a 17 anos sequer concluíram o 1º grau. Desse modo, surge a necessidade de dinamizar a didática brasileira e valorizar as habilidades individuais, pois, de acordo com a música “Estudo Errado” — do Gabriel, O Pensador —, por ela tender a ser decorativa, não agrega conhecimento ao estudante, dando a sensação de que não se está aprendendo nada que servirá, de fato, para a construção social desse sujeito.

Somado a isso, há um sucateamento notável do sistema de ensino, pois, segundo dados do Censo Escolar de 2018, cerca de 50% das escolas públicas brasileiras não estão ligadas à rede de esgoto. Por esse motivo, o aluno brasileiro —que já possuía uma resistência em ir às aulas, em decorrência do ensino obsoleto—, passa a ficar ainda menos incentivado a estudar. Apesar disso, a Constituição da República de 1988, em seu Artigo 205, garante que é direito de todos e dever do Estado fornecer educação de qualidade a todos os brasileiros. Contudo, a realidade apresenta-se muito distante do que prevê a norma constitucional e, dessa forma, é necessário que medidas públicas sejam criadas a fim de reverter a insconstitucionalidade existente.

Dessarte, a evasão escolar precisa ser combatida. Por isso, é imprescindível que o Ministério da Educação(MEC) crie novas diretrizes a serem seguidas pelos docentes, a fim de criar um sistema de ensino menos conteudista e que valorize as habilidades de cada um, com consequente redução da saída prematura da escola. Para isso, é preciso que sejam feitos estudos a respeito de uma forma de educação mais inclusiva —como a que é proposta pelo sociólogo Edgar Morin, o qual prioriza a didática das competências individuais—, que garantirá um maior engajamento por parte dos estudantes. Por fim, faz-se necessário, também, que a estrutura dos colégios seja modernizada pelo MEC, o que garantirá um ambiente mais atrativo aos discentes, e, para tanto, contará com auxílio do Ministério da Economia. Assim, a realidade brasileira será tão boa quanto a que é almejada pela professora Erin.