Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/03/2021
A Constituição da República prevê o direito à educação às crianças e aos adolescentes. Contudo, essa premissa está ameaçada, uma vez que a quantidade de casos de evasão escolar têm crescido nos últimos anos, passando a configurar um problema. Esse fato tem graves impactos sociais sobre os adolescentes que saem precocemente do meio escolar, por consequência direta de um sistema de ensino obsoleto e mecânico — pautado no conteudismo e que não valoriza as habilidades individuais. Primordialmente, é evidente que a mecanização e os traços arcaicos são característicos do sistema de educação brasileiro. Dessa maneira, o ensino, que poderia valorizar as habilidades dos jovens, torna-se frustrante para a maioria dos alunos, o que contribui fortemente para o aumento da evasão escolar, conforme dados do Instituto Unibanco de que cerca de 52% dos adolescentes de 15 a 17 anos nem sequer concluíram o 1.º grau. Desse modo, surge a necessidade de dinamizar a didática brasileira e reconhecer as capacidades individuais, pois, de acordo com a música “Estudo Errado” — do Gabriel, o Pensador —, a metodologia utilizada é decorativa e não agrega conhecimento ao estudante, dando a sensação de que não se está aprendendo nada que servirá para a construção social desse sujeito.
Como consequência, o jovem que saiu precocemente do ambiente escolar sente dificuldades na hora de entrar no mercado de trabalho, em decorrência da exigência de pessoas cada vez mais capacitadas. De fato, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos foi de 30% em 2020. Por esse motivo, essa parcela dos brasileiros — que não é constituída de profissionais experientes e dificilmente participarão ativamente nos negócios de trabalho —, tende a optar por empregos informais para conseguir alguma renda, mas são mal remunerados nesse processo e não possuem proteção social ligada ao trabalho.
Dessarte, a evasão escolar precisa ser combatida. Por isso, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC), crie diretrizes a serem seguidas pelos docentes, de modo que o novo sistema de ensino seja menos conteudista e que valorize as habilidades de cada um, com consequente redução da saída prematura da escola. Para isso, é preciso que sejam feitos estudos a respeito de uma forma de educação mais inclusiva — como a que é proposta pelo sociólogo Edgar Morin, o qual prioriza a didática das competências individuais —, que garantirá mais engajamento por parte dos estudantes. Por fim, faz-se necessário, também, que o MEC crie turmas intensivas de ensino no horário da noite — que tende a ser mais acessível para as pessoas que trabalham —, com o objetivo de preparar os cidadãos que saíram das escolas para que possam ser inseridos com efetividade no mercado de trabalho. Assim, a realidade brasileira estará respeitando o que prevê a Constituição Cidadã.