Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/04/2021

“Lugar de criança é na escola” foi um slogan propagado pelo governo federal, nos idos dos anos 2000, na tentativa de reversão de um quadro de ausência e abandono da escola pelos estudantes. Conquanto, tal ação não se reverberou na prática, quando se observa a intensa evasão escolar na realidade brasileira, problema crônico e grave, pautado nas desigualdades sociais e nas deficiências estruturais do ensino. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da cultura do abandono dos estudos e dos fatores que favorecem a esse quadro.

Em primeiro lugar, vale salientar que abordar a evasão escolar é jogar luz sobre as desigualdades do Brasil. Ou seja, ao olhar para a taxa de abandono da escola pública, com índices de 45%, conforme o Ministério da Educação (MEC), em comparação com a privada com 4%, percebe-se um grande descompasso. Tal fato se explica, segundo as ideias do educador Anísio Teixeira, porque a educação brasileira é um processo de formação exclusivo de uma parcela privilegiada. Assim, as outras menos favorecidas que sofrem com a dupla jornada, a falta de estímulo, a gravidez precoce e a violência, se veem impelidas a se evadir. Ou seja, são dragadas pelas profundas dificuldades arraigadas à desigualdade social para qual a escola atual, infelizmente, não tem solução.

Por outro lado, a educação brasileira padece de entraves crônicos, desde deficiências nas estruturas dos prédios, desvalorização da figura do professor e mesmo a falta de um sistema pedagógico eficaz. Nesse cenário, evidencia-se que apenas 48% da população jovem conclui o ensino médio no Brasil, segundo dados do próprio MEC. Diante disso, é notória a falência do sistema educacional público do país e de sua gestão, que não cumpre seu principal papel, a saber, segundo a educadora Bell Hooks, o de transformar o indivíduo. Logo, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.

É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução dessa problemática. Assim, o Ministério da Educação, juntamente com as escolas e os conselhos tutelares – principais atores responsáveis desse processo – devem adotar a campanha “A escola em sua casa”, na qual se estimule uma cultura de interação aluno/escola. Essa iniciativa aconteceria por meio de visitas de professores e conselheiros tutelares à casa dos alunos que deixaram de frequentar a escola, atuando no diagnóstico e na resolução de problemas sociais, de saúde e pedagógicos, visando a diminuição da evasão dessa população. A fim de que, finalmente, não haja somente propaganda ou slogans, mas sim, a transformação efetiva tanto do ambiente escolar quanto do futuro dos que dele dependem.