Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/04/2021
A Constituição Federal de 1988 obriga o governo a assegurar educação a todos no momento em que garante o direito a esse bem aos cidadãos. Inclusa nesse compromisso, está a tarefa de manter os estudantes dentro das escolas – desafio preocupante à atual sociedade brasileira. Nesse sentido, a evasão escolar existente no Brasil representa um problema que, por um lado, tem na falta de interesse dos estudantes uma de suas origens e, por outro, contribui com o desemprego no país tupiniquim.
Em primeiro lugar, cabe assinalar que o abandono das escolas pelos jovens tem uma de suas causas na forma de cativar os alunos. Nessa perspectiva, Paulo Freire, educador brasileiro, coloca que deve-se ensinar integrando o que os jovens já trazem de conhecimentos e experiências de vida para obter-se melhor resultado pedagógico, no qual, infere-se, a frequência regular ao local de ensino está inscrita. Sob essa ótica, convém questionar a metodologia de ensino aplicada às aulas dadas aos jovens brasileiros, as quais tornam-se insuficientemente envolventes ao deixar de, como pontua Freire, conectar os conhecimentos de suas realidades, suas dificuldades e suas perspectivas para o futuro com a matéria escolar — parecendo-lhes, nesse contexto, pouco úteis e essenciais. Desse modo, é importante considerar que a carência de uma maneira suficientemente atraente de ensinar acaba contribuindo com a evasão escolar.
Em segundo lugar, é importante tratar sobre o impacto da fuga das escolas sobre o desemprego no Brasil. Ao tratar deste tema na contemporaneidade, geógrafos e sociólogos pesquisadores precisam considerar as pessoas “nem-nem” – termo cunhado para se referir àqueles que nem estudam, nem trabalham. Essa população já representa, atualmente, para esses pesquisadores, um fenômeno que influi diretamente sobre o crescimento, presente e futuro, da texa de desemprego brasileira. Tratando especificamente do não estudar, os que não o fazem representam candidatos menos prováveis a ocuparem vagas de trabalho, pois deparam-se com a acirrada competitividade profissional decorrente do já instalado e crônico problema de desemprego nacional. Dessa maneira, verifica-se que, por meio do aumento da população “nem-nem”, a evasão escolar eleva as taxas de desemprego no país.
Assim, diante do exposto, é necessário que o Ministério da Educação, baseado em Paulo Freire, crie um programa de reforço à metodologia escolar por meio de aulas semanais dadas aos professores de cada escola pública. Focado no aumento da atratividade que as aulas representam aos estudantes, tem como fim que essas tornem-se mais úteis e importantes na visão deles e, dessa forma, contribuam com a sua permanência na escola. Feito isso, a meta de garatir educação, prevista na CF/88, estará mais próxima de ser alcançada.