Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 13/04/2021

No livro “Anne de Green Gables”, a protagonista, Anne Shirley, para de ir ao colégio de Avonlea por não suportar a hostilidade de seus colegas. A esse respeito, percebe-se que a evasão escolar é um problema que transpassa a realidade vivida pela personagem e atinge majoritariamente a juventude brasileira. Por isso, é essencial analisar o péssimo planejamento das políticas escolares e a ampliação da desigualdade como principais problemáticas dessa questão.

Em princípio, a péssima gestão das políticas que atendem as necessidades do corpo estudantil favorece essa preocupante situação. Sob essa ótica, o pensador Paulo Freire destaca uma visão de integralidade do ensino ao afirmar que, embora a educação seja um mobilizador de mudanças na sociedade, ela precisa atuar em conjunto com outras esferas sociais. No entanto, a realidade que o Brasil enfrenta é contrária ao ideal do patrono da educação, já que as mazelas políticas  nas instituições de ensino desestimulam os estudantes a continuarem com seus estudos. Esse panorama é evidenciado, por exemplo, na dificuldade do governo em equiparar a qualidade da educação entre as diferentes classe socias durante a pandemia. Desse modo, verifica-se que o governo deve atender as necessidades do corpo estudantil.

Ademais, a evasão escolar é um problema pois amplia o cenário da pobreza no país. Segundo o artigo 205, da constituição federal, um dos principais objetivos da educação é formar cidadãos preparados para ingressar no mercado de trabalho. Consoante à lei, nota-se que a desistência escolar pode impedir o indivíduo de conseguir um emprego assalariado. Com isso, o desemprego e os trabalhos em condições insalubres crescem no Brasil, o que é preocupante do ponto de vista humanitária - já que coloca o cidadão em uma série de privações de direitos- e econômica. Logo, infere-se que o aumento da pobreza está diretamente ligada a precarização da educação.

Dessa maneira, conclui-se que a evasão escolar no Brasil precisa ser combatida. A fim disso, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o Governo Federal, mapeie as principais vulnerabilidades sociais do corpo estudantil, para sanar qualquer necessidade que futuramente possa fazer os alunos desistirem dos estudos. Isso pode ser feito, por meio, de um projeto, chamado " Juntos pelo aprendizado", no qual as Secretárias da Educação irão analisar em questionários socioeconômicos - que ficaram previamente disponíveis nas escolas - condições vivenciadas pelos estudantes que merecem mais atenção dos órgãos públicos. Posto isso, será possível oferecer um ensino de qualidade, capacitando o cidadão para o mercado de trabalho e para a sociedade.