Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/04/2021
Policarpo Quaresma foi um personagem elaborado por Lima Barreto que idealizava um Brasil justo, igualitário e de aprazível vivência. Em sua vida, Policarpo condenava as disparidades socioeconômicas e as injustiças sociais. No contexto atual, o país se distancia da idealização de Quaresma, haja visto que percebe-se um aumento constante da desistêcia escolar, que é causada, principalmente, pela desigualdade social e pela negligência das escolas em relação ao desenvolvimento dos alunos. Sob esse viés, é imperial discutir a questão dessa evasão na realidade brasileira e elaborar caminhos para combatê-la. Em primeiro plano, destaca-se como a evasão escolar é influenciada pela desconformidade social. De acordo com a “violência simbólica”, de Pierre Bourdieu, estudantes de baixa renda possuem mais dificuldade em ascender intelectualmente comparado àqueles com classe social mais elevada. Seguindo a perspectiva do sociólogo, depreende-se que alunos desfavorecidos economicamente tendem a ter maiores frustrações na qualidade do ensino e, por isso, acabam abandonando a escola. Assim, um possível caminho para solucionar essa problemática seria melhorar as condições do ensino nas escolas públicas. Paralelo a isso, é notório como a negligência das instituições de ensino com o aprendizado do aluno gera a desistência acadêmica. Nesse ponto de vista, o livro “O Ateneu”, de Raul Pompéia, traz um contexto de total descaso do colégio com os alunos. Semelhante à obra, no Brasil isso também vem ocorrendo em muitas escolas, o que causa o desinteresse do discente com o aprendizado. Desse modo, pode ser explicado, assim, a redução da taxa de formandos, o que é evidenciado por dados divulgados pela revista “Isto é”. Nessa lógica, o incentivo à integração dos alunos pode ser uma alternativa para resolver esse empecilho. Portanto, fica claro que a evasão das escolas é causada por motivos sociais e governamentais. À luz disso, o Ministério da educação deve promulgar medidas para melhorar a formação dos docentes. Isso pode ser feito incentivando-os, em sua formação, a desenvolver meios para envolver o aluno em um estudo mais ativo, como em tarefas práticas e extracurriculares. Além disso, cabe ao mesmo agente aumentar a relação das escolas com os responsáveis pelos alunos através da promoção de eventos, como reuniões e com a integração dos pais nas atividades supracitadas. Somente dessa forma, será possível alcançar uma plena permanência escolar dos corpos discentes, o que levará a um país mais parecido com aquele idealizado por Quaresma.