Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/05/2021

Na mitologia grega, Aquiles, quando criança, foi mergulhado em águas místicas que tornava invencível quem ali fosse banhado. Sua mãe, entretanto, por descuido, não banhou seu calcanhar, tornando-o vulnerável. Análogo a atualidade, a educação passa a ser o “calcanhar de Aquiles” da sociedade brasileira, onde deixa abandonada a população que dela depende. Ademais, uma das rachaduras dos pilares que sustentam o sistema educacional é a evasão escolar, cada vez mais crescente no país.

A princípio, uma das causas mais notáveis da adversidade supracitada é, mediante a crise social-econômica brasileira, a necessidade da população cada vez mais jovem em se inserir no mercado de trabalho – normalmente em trabalhos informais - para completar, ou até mesmo ser a única, renda da família. Segundo o filósofo Rosseau, a criança não deve ser tratada com adulto, deve-se respeitar as particularidades de cada fase da vida. Dessa forma, quando o jovem, que deve estar na escola, se encontra substituindo essa pelo trabalho há uma quebra da ordem de formação do indivíduo gerando resultados negativos na vida deste. Um dos inúmeros resultados, é o aumento da criminalidade, e, principalmente, o aumento do número de jovens inseridos no contexto do crime. O matemático e filósofo Pitágoras afirma: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens.”. Assim sendo, a inserção desses jovens na escola aumenta na mesma medida que diminui a entrada destes na criminalidade.

Outrossim, segundo o filósofo Kant, “A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem”. Dentro do contexto de pandemia global, a falta de estrutura para o aluno, em especial para os de baixa renda, nas aulas remotas aumentam o índice de evasão escolar. A ausência dos requisitos básicos como internet e computadores não são supridos pelo governo, impossibilitando o aluno ao acesso à educação. O escritor Carlos Drummond de Andrade citou “Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”, quando não disponibilizado o acesso a aula, continua-se colocando pedras no sistema educacional brasileiro. O maior efeito desse processo, é a elitização da educação, que passa a ser disponível a quem possui condições econômicas para acessa-la, ao invés de ser democratizada,  gerando um ciclo de desigualdade.

Em síntese, é de extrema importância do Governo Federal junto com os municípios, por meio de projetos sociais – principalmente em áreas periféricas - que incentive a população a completar o ensino fundamental e médio, aumente as taxas de adesão ao ensino educacional até o superior. Dessa forma, a vulnerabilidade do sistema de educação brasileiro poderá ser banhado, tornando-se invencível como o herói grego.