Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/04/2021
De acordo com a célebre frase do filósofo moderno Francis Bacon: saber é poder. Nesse sentido, entende-se que o conhecimento é um elemento fundamental para a perpetuação de uma sociedade permeada pela educação. No entanto, essa conjuntura revela uma situação de negligência estatal ao não fornecer um sistema de ensino e vida estável adequada, fazendo com que, consequentemente, o Brasil se depare com um problema preocupante de educação pública: o aumento dos inúmeros casos de evasão escolar. É necessário, portanto, entender como esse desvio escolar afeta na sociedade brasileira e quais suas consequências.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a consistência dessa evasão indica um contexto de precarização da economia brasileira, pois, em meio a um cenário de crise financeira em todo o país, o aluno vê-se na obrigação de sair da escola para arrumar um emprego, sendo o trabalho, assim, o maior motivo dessa problemática. Essa condição, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, assegurada como inerente a todo cidadão brasileiro pela Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país.
Por conseguinte, a condição proporcionada pela evasão escolar gera um cenário de exponencial crescimento das taxas de analfabetismo funcional no Brasil. Segundo estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 29% da população pode ser considerada como analfabeta funcional. Tal eixo denota a negligência estatal em não fornecer meios para que as pessoas possam ter uma vida de qualidade e um bom desenvolvimento de ensino escolar. Logo, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.
Portanto, é mister que o Estado tome providência para amenizar o quadro atual. Para o estabelecimento de uma sociedade permeada por um ensino de qualidade, urge que o MEC (Ministério da Educação) crie, por meio de emendas parlamentares, em parceria com a imprensa brasileira, um projeto de incentivo midiático para motivar os alunos a continuarem em suas respectivas escolas. Complementando, os agentes de saúde deveriam fazer uma pesquisa sobre as situações financeiras dos cidadãos para que o Estado possa fornecer uma ajuda viável, como doação de cesta básica e auxílio monetário. Dessa forma, os alunos não se veriam na obrigação de abandonar a escola, consolidando, assim, uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.