Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/05/2021

O filme “Escritores da liberdade”, de Richard LaGravenese, retrata a história de uma professora que luta para que os alunos retomem a confiança em si e não abandonem a escola. Embora ficcional, o contexto é coerentemente aplicável à atual situação de muitos alunos brasileiros que, devido a realidade em que vivem, sentem-se obrigados a abdicarem os estudos. Nesse sentido, o acesso limitado às escolas em zonas precárias, e a situação econômica desfavorável colaboram para que o abandono escolar persista.

Em primeira análise, é válido retomar o aspecto supracitado acerca da segregação de lugares mais pobres. De acordo com o IBGE, o processo de urbanização brasileira foi de maneira totalmente desordenada, o que resultou em uma marginalização social. Por conseguinte, essas áreas marginalizadas tornaram-se alvos de um modelo econômico segregacionista, o qual prioriza apenas lugares lucráveis. Sob essa lógica, esses locais são negligenciados principalmente com relação à educação, pois, segundo o portal Gesta Engajamento Escolar, possuem quantidade de sistemas de ensino, vagas e transportes ofertados precários. Assim, ausência de instituições de ensino, e o descaso em possibilitar o acesso mesmo que longe, contribui para a queda no número matriculados.

Ademais, a necessidade de entrar cedo no mercado de trabalho é decisiva para que os estudos fiquem em segundo plano. Nesse contexto, essa situação também é comprovada por dados do IBGE, os quais afirmam que nos casos de evasão 11,8% são jovens pobres, cujos pais não podem bancar as despesas sozinhos e precisam da ajuda de seus filhos. Dessa maneira, a saída antecipada da escola para contribuir na renda familiar vai de encontro com os princípios previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os quais asseguram que o direito à educação deve ser garantido pelos pais e o Estado. Em síntese, em consonância com a falta de democratização escolar, a concentração financeira evidencia uma das maiores entraves para que o abandono escolar seja sanado.

Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para combater a desistência dos estudos. O poder executivo, portanto, deve garantir mais políticas públicas nas zonas marginalizadas, por meio de maiores investimentos governamentais voltados à construção de mais escolas, para que assim os alunos não precisem estudar em locais distantes, dependentes de transportes que, muitas vezes, não são ofertados. Além disso, O Ministério da Justiça, por meio de uma lei criada pelo Poder legislativo, deve garantir visitas anuais por assistentes sociais em comunidades mais pobres, a fim de garantir que as crianças e jovens frequentem realmente a escola. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-á ter uma sociedade com as mesmas oportunidades e uma fixação escolar sob os princípios do ECA.