Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 05/05/2021

No Filme “Mãos talentosas”, Candy é mãe de dois garotos é luta bravamente para que eles continuem na jornada escolar, pois durante sua adolescência ela não pôde estudar e isso a tornou mais vulnerável socialmente, não desejando, assim, o mesmo aos seus filhos. Não distante da realidade, inúmeras pessoas têm seus estudos interrompidos por fatores externos ou pela desmotivação advinda da metodologia ultrapassada das próprias escola.

A priori, cabe ressaltar que muitos estudantes são obrigados a fazer “a escolha de Sofia” entre trabalhar e estudar. Isso acontece devido a crescente desigualdade social que promove a necessidade de “trabalhar para comer” e, assim, inviabiliza a trajetória acadêmica dos jovens. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, dez milhões de alunos entre 14 e 29 anos deixaram a escola, 30% porque precisava trabalhar pelo sustento da família. Em outros termos, a sociedade cultiva uma conjuntura problemática que move o estudo para o segundo plano na vida das pessoas de baixa renda e assim move um ciclo infindável, no qual é necessário estudar para melhorar de vida, mas é preciso deixar o estudo para viver. Logo, a desigualdade social “expulsa” os adolescentes e jovens adultos das escolas promovendo o aumento da evasão escolar nacional.

Ademais, vale salientar que a dinâmica arcaica na qual o ensino básico brasileiro está envolvido desistimula os jovens da geração Z a prosseguir estudando. A metodologia STEM (Sigla em inglês com tradução livre para: ciência, tecnologia, engenharia e matemática), consiste em ensinar as áreas citas de forma prática e criativa. Desse modo, os professores orientam os discentes aos procedimentos e vão tirando dúvidas ao longo das atividades recreativas, isso gera uma aprendizagem ativa e eficiente que diverte e ensina. Todavia, no Brasil, a estrutura escolar opta por um ensino pragmático e passivo com aulas teóricas e pouca ou nenhuma interatividade, desencadeando monotonia e tédio nos alunos dessa década, frutos de uma geração tecnológica e acelerada que não combina com o supracitado ensino brasileiro. À vista disso, ao optar por não adequar-se a geração a própria escola acaba por promover a evasão escolar.

Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar a evasão escolar no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Educação promova um programa mais eficiente que vise garantir bolsas alimentares para as famílias que precisariam dos filhos para trabalhar, assim mantendo-os na escola. E, ainda, insira disciplinas com metodologias ativas dentro das escolas para estimular os estudantes e, dessa forma, mantê-los focados em estudar. Só assim, mais mães não terão que lutar tanto quanto Candy para assegurar que será garantido o direito básico à educação aos seus filhos.