Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/06/2021

Redigido no século XIX, o conto “Conto de escola” do escritor brasileiro Machado de Assis ilustra um rígido modelo educacional que, além de intimidar os alunos, é pouco atrativo quando comparado a atividades externas à instituição. No entanto, tal padrão permanece em vigor e, somado ao baixo investimento governamental e aprimoração do setor, fomenta a frequente evasão escolar no país. Dessa forma, urgem estratégias para instigar a conclusão do ensino básico em detrimento do abando.

É pertinente elencar que, segundo o pedagogo e filósofo Paulo Freire, a metodologia “bancária” consiste na transferência unilateral de conhecimento entre educador e educando. Nesse sentido, configura-se um sistema conteudista e opressor, em que tanto a proatividade dos estudantes quanto a autonomia são reprimidas. Concomitantemente, a alarmante desigualdade proveniente do capitalismo acentua o número de cidadãos que dependem do sistema público. Porém, como aborda o documentário “Pro dia nascer feliz”, esse é extremamente negligenciado, uma vez que os métodos didáticos, bem como a estrutura física das escolas, são precários. Logo, ambos os fatores corroboram a falta de perspectiva dos jovens e, muitas vezes, o abandono em função da procura por emprego e renda.

Em decorrência disso, a cidadania encontra-se ameaçada. De acordo com o sociólogo Thomas H. Marshall em seu livro “Cidadania e classe social”, a cidadania equivale ao conjunto de direitos civis, sociais e políticos garantidos por uma constituição. Contudo, essa é negada, posto que a educação é imprescindível a diversos direitos, inclusive ao trabalho. Por conseguinte, observa-se a manutenção dos problemas econômicos, assim como o estabelecimento da vulnerabilidade, pois o mesmo documentário apresenta o desemprego e a consequente adesão ao crime como forma de ascensão social.

Portanto, o índice de evasão deve ser atenuado. Para isso, cabe ao Ministério da Educação alterar a metodologia atual, por meio da contratação de profissionais – que utilizem a pedagogia de Paulo    Freire-, com intuito de promover a atrativa educação emancipadora. Ademais, o mesmo ministério, em parceria com o Ministério da Economia, deve investir na infraestrutura escolar, mediante o redirecionamento de verbas, que serão destinadas à capacitação de profissionais e à restauração do espaço, objetivando erradicar o antigo modelo exposto na obra de Machado de Assis.