Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/07/2021

Em um dos episódios da série televisiva “Anne with an E”, a protagonista Anne abandona a escola após não ser bem acolhida por seus colegas e professor em seus primeiros dias de aula. Não distante da ficção, hodiernamente, a evasão escolar é um sério problema da realidade brasileira que urge ser combatido. Tal conjuntura se dá devido à inércia governamental e ao falho papel da escola. Destarte, é fundamental discorrer sobre o assunto.

A priori, cabe ressaltar a negligente ação do poder público por não viabilizar ambientes adequados de ensino. Conforme a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir a educação. Isto posto, é notório que governo deve assegurar uma infraestrutura favorável ao processo de ensino-aprendizado, entretanto, os representantes políticos, por descaso à educação, pecam ao não estruturar adequadamente as escolas, em vez disso, permitem ambientes precários, sem carteiras apropriadas e sem bibliotecas, os quais afetam, negativamente, o interesse dos alunos pelo aprendizado, contribuindo, assim, para sua evasão. Dessa forma, é inaceitável, em uma nação em desenvolvimento, a perpetuação desse problema.

Em segunda análise, é imperioso destacar a errônia conduta das instituições de ensino em manter os modelos conservadores das aulas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, 20% das pessoas com idade entre 14 e 29 anos desistiram dos estudos. Nesse sentido, infere-se que a tradicional ferramenta de ensino usada pelos docentes, em virtude da pouca capacitação através da educação permanente sobre a aplicabilidade de metodologias ativas, induz os alunos a perderem o entusiasmo pelas aulas por não serem autônomos em seu aprendizado, resultando, dessa maneira, em abandono escolar. Sendo assim, é evidente a necessidade de mudança desse cenário.

Portanto, medidas atenuantes aos entraves supracitados são necessárias. Com isso, o governo, na figura do Ministério da Educação, por incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve realizar uma política pública, na qual além de conter o projeto de obra de adequação estrutural e de materiais e insumos escolares, regulamente também a realização de cursos preparatórios, aos professores, sobre as novas metodologias de ensino, avaliando a aplicação dessas, por meio da análise do nível de satisfação dos alunos, com o fito de que esse problema seja erradicado do Brasil. Feito isso, a sociedade, finalmente, não mais verá “Annes” abandonarem a sala de aula.