Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 13/06/2021

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todos os indivíduos possuem direito a uma formação escolar de qualidade e gratuita. Entretanto, a realidade brasileira apresenta diferentes entraves que dificultam o cumprimento desse direito na prática, o que corrobora significativamente para inúmeros problemas, como a evasão escolar, cenário que prejudica o aluno em diversas etapas da vida social.  Nesse contexto, fatores como o sucateamento e a desigualdade devem ser analisados.

Diante disso, é fulcral pontuar no que tange a negligência governamental. Nesse panorama, o economista britânico Sir Arthur Lewis explana que a educação nunca poderá ser enxergada como despesa, porque é um investimento com retorno garantido. Sob tal ótica, é indiscutível que as escolas brasileiras, majoritariamente, encontram-se sucateadas, ausentes de investimentos e caracterizadas pela carência de materiais didáticos, bem como professores e atrativos para o desenvolvimento intelectual e artístico. Logo, a escassez de tais fatores potencializa o abandono escolar, o que prejudica os alunos a curto- não formação escolar- e a longo prazo- dificuldade de ascensão no mercado de trabalho.

Além disso, cabe pontuar no que se refere ao disparate social presente. Desse modo, Ariano Suassuna, poeta nordestino, reflete sobre a temática articulando que a injustiça secular dilacera o Brasil em dois países distintos: privilegiados e despossuídos. Nesse ínterim, é indispensável refletir que o fator econômico interfere diretamente na qualidade educativa, pois diversos alunos afastam-se do ambiente escolar em decorrência da urgente necessidade em auxiliar na economia familiar, reflexo da pobreza e desigualdade brasileira. Assim, esse cenário deplorável exige mudanças imediatas que solucionem a problemática.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a evasão escolar. Urge que o Ministério da Economia (ME) realize maiores investimentos nas instituições escolares, por meio da disponibilidade de melhores materiais didáticos (livros, jogos, filmes), fiscalização da necessidade de contratação de professores, construção de quadras esportivas, bibliotecas e espaços atrativos, a fim de sanar as carências expostas pelos alunos. Ademais, é mister que o ME auxilie economicamente os alunos de maior baixa renda, por intermédio de bolsas escolares que avaliem o desenvolvimento estudantil, com o fito de evitar a evasão e confortá-los frente a desigualdade, além de conscientizá-los que a educação pode ser usada como ferramenta para a ascensão social e, consequentemente, porta de auxílio ao núcleo familiar. Por certo, os direitos expostos na DUDH seriam cumpridos, independente de fatores econômicos e sociais.