Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/07/2017

Partindo do seu processo histórico, desde o século XIX, as reflexões sobre o comportamento escolar fazem-se emblemáticas. Enquanto, nesse período, foram instauradas escolas de medicina na Bahia e no Rio de Janeiro voltadas para a elite brasileira, na contemporaneidade, a educação é um dever do Estado, porém muitos indivíduos abstêm-se. Nesse sentido, é necessário entender as causas da evasão escolar a fim de combatê-la.

Em primeira instância, há inúmeros casos de fuga escolar devido à entrada no mercado de trabalho antes da idade prevista por lei, com o intuito de ajudar os pais financeiramente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2016, quarenta e quatro por cento de adolescentes começa a trabalhar com menos de 14 anos. Além disso, conforme um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essa entrada precoce prejudica os anseios profissionais desses indivíduos, que para trabalhar deixar de estudar adequadamente, o que afeta diretamente o próprio futuro. Nessa perspectiva, é natural afirmar que uma das causas da evasão escolar é o trabalho antecipado.

Ademais, chega-se a uma representativa questão: o desinteresse. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, esse quesito foi citado por mais de quarenta por cento dos jovens que abandonaram os estudos. Essa mesma porcentagem, alegou que não notavam a utilidade de determinadas disciplinas para a sua vida. Outrossim, houve relato de que falta de tecnologia em sala de aula contribuiu para a abstenção. Esse fato foi comprovado por uma pesquisa realizada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, que demonstraram que seis por cento das escolas públicas usam computadores em sala de aula. Logo, a falta de interesse estimulada pelo baixo índice tecnológico na classe contribui para a saída do colégio.

Fica evidente, portanto, que essa questão requer uma abordagem coerente e equilibrada. Dessa forma, mensagens de conscientização deverão ser veiculadas em meios de comunicação governamentais, como o programa de rádio “Hora do Brasil”, a fim de relatar a importância da educação para os indivíduos terem um futuro próspero e incentivar os pais a manterem os filhos no colégio. Além disso, cabe ao Ministério da Educação modernizar o curso de formação dos professores, criando uma disciplina de inserção de tecnologias na sala de aula, para esses promoverem aulas mais atrativa, interessantes e didáticas atuando na diminuição de abstenções; e à escola aproximar-se da realidade dos alunos, com projetos pedagógicos, de forma a adequar-se aos anseios e expectativas desses. Dessa forma, o Direito Humano de educação para todos será assegurado.