Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 03/07/2017
O direito à educação nem sempre foi algo garantido pela Constituição Federal, somente a partir da nova Constituição de 1988, o Estado se tornou responsável por garantir educação de qualidade a todos os brasileiros. Entretanto, apesar desse significativo avanço social, é crescente o número de crianças e adolescentes que abandonam os estudos. Quando questionados, grande parte alega a necessidade de trabalhar, outros por não enxergarem perspectivas na escola, ou até mesmo a falta de interesse, que deve ser desmembrada em possíveis causas e não avaliada somente de forma superficial.
Vale ressaltar que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há atualmente 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos que abandonaram os estudos, sendo que a maior parte deles são estudantes de escola pública. Uma das explicações dadas é que, à medida que esses jovens vão se tornando adultos, cresce a necessidade de ajudarem financeiramente em casa, sendo difícil o conciliamento entre os estudos e o trabalho. Nesse sentido, como muito desses estudantes não enxergam na escola um ambiente que será capaz de propiciar melhores condições de vida, a grande maioria acaba optando pelo trabalho e deixando os estudos de lado.
Somado a isso, a falta de interesse dos estudantes é também uma das principais causas para a evasão. Apesar desse motivo parecer algo superficial, quando avaliado a fundo, percebe-se que há diversas causas por trás desse desinteresse. Grande parte das escolas públicas são precárias, tanto na estrutura física, quanto em materiais básicos para as aulas. A falta de um ambiente acolhedor, com condições mínimas ao estudo, diminui as perspectivas de diversos alunos. Além disso, os professores possuem cada vez menos recursos para tornar as aulas dinâmicas e interessantes, por falta de ambientes adequados, laboratórios, matérias interdisciplinares, e em alguns casos, por falta de cadeiras, mesas, giz, entre outros. Ao juntar todos esses fatores, os jovens alegam não se sentirem incentivados à frequentarem as aulas.
Fica claro, portanto, que a evasão escolar é uma grande questão social brasileira, que precisa de medidas para o seu combate. Uma forma eficaz para a sua diminuição é a ampliação de políticas públicas oferecidas pelo Ministério da Educação (MEC), que aumentem o número de cursos técnicos profissionalizantes para os estudantes de escolas públicas, com remuneração adequada aos jovens. Além disso, o Governo Federal deve disponibilizar mais recursos financeiros às escolas, juntamente de cursos profissionalizantes aos professores, para que mais aulas interdisciplinares e dinâmicas possam ser dadas, o que contribui para que os alunos se tornem mais interessados nas aulas e no ambiente escolar.